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Sunday, June 10, 2007

Discussão importante à esquerda

Aqui, na caixa de comentários deste post do Elísio Estanque.

Wednesday, May 16, 2007

Desigualdades e sistemas de educação-formação: o papel da formação de competências na construção do Estado social


Depois explico com mais calma o que está aqui em causa, e por que é que os países que desenvolveram robustos sistemas de educação-formação (ou seja, níveis de ensino anteriores e/ou paralelos ao ensino universitário) são aqueles onde as desigualdades económicas são mais baixas. Portugal não está neste quadro, mas se estivesse, a sua posição não seria muito diferente da dos EUA (estaria, creio, apenas um bocado mais para a direita).
O quadro é retirado deste excelente livro: Capitalism, Democracy, and Welfare (Cambridge University Press, 2005, p.19), de Torben Iversen, que é um dos autores mais importantes para pensar - e demonstrar empiricamente - porque é que os Estados sociais, correctamente desenhados, não são - pelo contrário - obstáculos ao crescimento. A sua política do Estado social não é, ou nao deve ser, contra os mercados, mas com os mercados, alimentando as suas dinâmicas, por um lado, e redistribuição dos riscos e rendimentos, por outro. Isto é uma mensagem muito importante tanto para a esquerda - que acha que o Estado social deve sempre combater e resistir aos mercados e ao capital, o que é um erro -, como para a direita - que acha que tudo o que é protecção dos trabalhadores e impostos retira eficácia ao funcionamento dos mercados e pesa no crescimento. Ambos estão errados, e a prova é que as associações patronais sempre participaram activamente, ao longo da história, na construção das políticas sociais, através da negociação de acordos com os sindicatos. Depois volto a este tema e àquela que pode ser chamada de asset theory of the welfare state.

Sunday, May 6, 2007

E agora?

Sarkozy foi eleito. Ainda restam as legislativas de Junho, mas não é expectável que saia grande coisa para a esquerda.
Resta o futuro. E resta esperar que a esquerda francesa - o PSF e a gauche de la gauche (seja lá o que isto quer dizer) - compreenda porque é que, quando chegarmos a 2012, no fim do (primeiro?) mandato Sarkozy, e tiverem passado 54 anos da fundação da V República, a esquerda só tenha tido um presidente durante 14 deles (1981-1995, com Mitterrand): apenas um pouco mais de um quarto do tempo.
Sarkozy ganhou porque tinha um programa ajustado a diferentes sectores do eleitorado: liberalismo para os ricos e empresários, autoridade e moral para as classes populares conservadoras (e algumas delas ex-PCF e que entretanto se tinham passado para Le Pen), promessa de firmeza, junto das classes médias à deriva, que acabaria a "vida fácil" para os "assistidos" e os usurpadores da lei pela violência. Para os que pensam que basta gritar “precaridade!” para que a consciência das pessoas vire à esquerda, convém lembrar que, perante esse mesmo grito de guerra, as classes médias podem muito simplesmente virar à direita, por sentirem precisamente que o seu estatuto fragilizado se defende fazendo uma aliança para cima, com os ricos, e não para baixo, com os pobres – os mesmos que, se o Estado social for demasiado generoso, pensam eles, poderão potencialmente morder os seus calcanhares - e dos seus filhos. Perante o grito da precariedade, as classes médias podem simplesmente colocar os seus filhos nas escolas privadas em vez das públicas; fazer seguros privados de saúde; aceitar o fim do welfare as we know it e a sua substituição pelo workfare; concordar com o reforçar das medidas de tolerância zero para os que Sarkozy chamou racaille. Convém pensar nestas consequências não-pretendidas de slogans e causas que à esquerda, podem fazer sentido e são legítimos, mas são que interpretadas de outra forma por quem não está particularmente preocupado com os mais desfavorecidos – pelo contrário. É por isso que é tão importante, ao mesmo tempo que se lançam os slogans e as causas, se façam propostas construtivas exequíveis – em caso contrário, essas causas podem simplesmente ser apropriadas by the wrong people, with the wrong ideas, voting for the wrong guy.
Será isto populismo por parte de Sarkozy? Talvez seja, sim. Mas é a prova que resulta eleitoralmente - ao contrário do populismo de esquerda. É preciso perceber porquê, e por que motivo, à esquerda, não vale a pena continuar com mesma retórica de sempre.
A esquerda francesa gosta de olhar com superioridade moral e ideológica para o New Labour de Blair. Pois bem, comparemos as situações: Blair vai sair agora, pelo próprio pé, depois de ter estado 10 anos no poder. A sua "terceira via" tem muitos buracos, sim, mas pelo menos foi uma plataforma ideológica minimamente coerente que lhe permitiu acabar com 18 anos de poder conservador e trazer novas ideias para a esquerda europeia. Não precisamos de concordar com todas elas para reconhecer isto. Convenhamos que, em democracia, estar no poder conta um bocadinho. Mesmo que, para tal, seja necessário convencer os eleitores - mesmo que à custa das tão heréticas "cedências". É que não é a história política, os livros-fetiche ou a ideias românticas que votam. São os eleitores.

Um Maquiavel precisa-se para a esquerda francesa.

P.S. - "C'est un très grave défaite pour la gauche, affirme Dominique Strauss-Kahn, sur TF1, citant une "troisième défaite" à la présidentielle. Il dit qu'il partage "l'inquiétude" de certains Français après l'élection de M. Sarkozy. Il salue le "combat courageux" de Ségolène Royal. "Jamais la gauche n'a été aussi aussi faible au premier tour, répète-t-il. Pourquoi ? Parce que la gauche française n'a toujours pas fait sa rénovation."

Vindo de quem vem, é preciso ter descaramento!