Wednesday, May 16, 2007

Yann Tiersen - Les Jours Tristes



Do álbum L'Absente (2001)






Les Jours Tristes

It's hard, hard not to sit on your hands
And bury your head in the sand

Hard not to make other plans
And claim that you've done all you can all along
And life must go on

It's hard, hard to stand up for what's right
And bring home the bacon each night
Hard not to break down and cry
When every idea that you've tried has been wrong

But you must carry on

It's hard but you know it's worth the fight'
Cause you know you've got the truth on your side
When the accusations fly, hold tight
Don't by afraid of what they'll say
Who cares what cowards think, anyway

They will understand one day, one day

It's hard, hard when you're here all alone
And everyone else has gone home
Harder to know right from wrong
When all objectivity's gone

And it's gone
But you still carry on

'Cause you, you are the only one left
And you've got to clean up this mess
You know you'll end up like the rest
Bitter and twisted, unless

You stay strong and you carry on

It's hard but you know it's worth the fight'
Cause you know you've got the truth on your side
When the accusations fly, hold tight
And don't by afraid of what they'll say

Who cares what cowards think, anyway
They will understand one day, one day, one day...

Desigualdades e sistemas de educação-formação: o papel da formação de competências na construção do Estado social


Depois explico com mais calma o que está aqui em causa, e por que é que os países que desenvolveram robustos sistemas de educação-formação (ou seja, níveis de ensino anteriores e/ou paralelos ao ensino universitário) são aqueles onde as desigualdades económicas são mais baixas. Portugal não está neste quadro, mas se estivesse, a sua posição não seria muito diferente da dos EUA (estaria, creio, apenas um bocado mais para a direita).
O quadro é retirado deste excelente livro: Capitalism, Democracy, and Welfare (Cambridge University Press, 2005, p.19), de Torben Iversen, que é um dos autores mais importantes para pensar - e demonstrar empiricamente - porque é que os Estados sociais, correctamente desenhados, não são - pelo contrário - obstáculos ao crescimento. A sua política do Estado social não é, ou nao deve ser, contra os mercados, mas com os mercados, alimentando as suas dinâmicas, por um lado, e redistribuição dos riscos e rendimentos, por outro. Isto é uma mensagem muito importante tanto para a esquerda - que acha que o Estado social deve sempre combater e resistir aos mercados e ao capital, o que é um erro -, como para a direita - que acha que tudo o que é protecção dos trabalhadores e impostos retira eficácia ao funcionamento dos mercados e pesa no crescimento. Ambos estão errados, e a prova é que as associações patronais sempre participaram activamente, ao longo da história, na construção das políticas sociais, através da negociação de acordos com os sindicatos. Depois volto a este tema e àquela que pode ser chamada de asset theory of the welfare state.

Sunday, May 13, 2007

Mais desenvolvimento, maior intolerância às desigualdades na saúde?


Foi por acaso, a partir deste post do João Caetano, que descobri esta discussão muito interessante sobre o futuro do sistema americano de saúde na National Public Radio, envolvendo empresários, médicos, académicos, etc. Não é segredo que já há algumas décadas que os norte-americanos tentam encontrar uma solução para um sistema cada vez mais caro (já ultrapassou os 16% do PIB) (e incapaz de proteger uma parte muito significativa da população (46,6 milhões segundo dados de 2005, ou seja, 16% da população - sem dúvida aquela que mais precisaria de cuidados de saúde), já para não falar da cobertura incipiente de muitos. Para além dos 46 milhões acima referidos, estima-se que 37 milhões estão sem seguro largos durante períodos de tempo (dado que os seguros estão tipicamente attached aos empregos, quando se perde o emprego perde-se também o seguro de saúde), já para não falar daqueles que estão underinsured, uma vez que seguro de que dispõem é altamente limitado nos serviços e medicamentos que cobre.
Uma discussão academicamente séria e politicamente desapaixonada pode ser encontrada no último livro do sociólogo David Mechanic, The Truth About Health Care: Why Reform Is Not Working in America (Rutgers University Press, 2006, 228p.), que trabalha há mais de 30 anos estas questões nos EUA.
O imbróglio em que os EUA se meteram por achar que a saúde é um bem - e, por consequência, os seus cuidados uma mercadoria - como qualquer outro(a) está à vista de todos, mesmo dos empresários que se queixam de aumentos anuais impraticáveis nos seguros que pagam pelos seus trabalhadores, e que, no limite, prejudicam as empresas norte-americanas na competição internacional (agora estão preocupados, não é?) - muitas vezes contra países que resolveram esse problema através de sistemas públicos universais ou variantes público-privado, que cobrem todos sem excepção, garantindo níveis aceitáveis de qualidade, eficiência e equidade a um custo bastante razoável. Já várias vozes na economia política e na sociologia económica (por exemplo, Neil Fligstein no seu The Architecture of Markets (Princeton University Press, 2002, 288 p.)) haviam apontado para que, na Europa, o facto dos sistemas de saúde serem públicos ou mistos, apesar de pesarem mais nos impostos, acabem por sair, no cômputo geral, mais baratos, oferecendo uma importante vantagem comparativa às economias europeias. Muitos empresários americanos parecem estar a chegar agora a essa conclusão pela prática.

Saturday, May 12, 2007

Mais desenvolvimento, maior intolerância às desigualdades na saúde

Na China começam a ser regulares os protestos e a violência nos hospitais por parte dos doentes que vêem negados tratamentos por falta de capacidade financeira. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a China ocupa a 188ª posição em 191 países no que toca à igualdade financeira de acesso aos cuidados de sáude. O sistema, claro, é quase totalmente privado.

Este é um caso interessante de como o desenvolvimento faz subir as expectativas das pessoas e coloca mais alto limiar do inaceitável - sobretudo no caso da saúde, que não é, apesar do que o relativismo de mercado pretende, um bem como os outros.

"For hundreds of millions of poor farmers, all but the most rudimentary care by "barefoot doctors" is unaffordable. A peasant saying has it that a pig must be taken to market every time an ambulance siren wails, a year's work is ruined as soon as you sleep in a hospital bed, and if you are struck with a serious disease, 10 years of savings go up in smoke. In 2004 a report said 75% of rural patients who declined recommended hospital treatment did so because of financial reasons."

O resto da notícia aqui.

Thursday, May 10, 2007

Dados interessantes sobre as eleições francesas

Aqui, retirado do site do Le Monde.

*Agradeço à Mariana ter-me chamado a atenção para este documento.

Sunday, May 6, 2007

Robert Castel sobre a segurança social profissional

As eleições francesas já passaram, mas as propostas e as ideias para o futuro ficam. Aqui podemos encontrar uma série de propostas feitas de investigadores, académicos e intelectuais de esquerda.

Aqui, Robert Castel fala da necessidade de se criar uma segurança social profissional.

As suas reflexões mais recentes podem ser encontradas no seu pequeno livro, Insecurité sociale : Qu'est-ce qu'être protégé, publicado pela excelente colecção République des Idées.

E agora?

Sarkozy foi eleito. Ainda restam as legislativas de Junho, mas não é expectável que saia grande coisa para a esquerda.
Resta o futuro. E resta esperar que a esquerda francesa - o PSF e a gauche de la gauche (seja lá o que isto quer dizer) - compreenda porque é que, quando chegarmos a 2012, no fim do (primeiro?) mandato Sarkozy, e tiverem passado 54 anos da fundação da V República, a esquerda só tenha tido um presidente durante 14 deles (1981-1995, com Mitterrand): apenas um pouco mais de um quarto do tempo.
Sarkozy ganhou porque tinha um programa ajustado a diferentes sectores do eleitorado: liberalismo para os ricos e empresários, autoridade e moral para as classes populares conservadoras (e algumas delas ex-PCF e que entretanto se tinham passado para Le Pen), promessa de firmeza, junto das classes médias à deriva, que acabaria a "vida fácil" para os "assistidos" e os usurpadores da lei pela violência. Para os que pensam que basta gritar “precaridade!” para que a consciência das pessoas vire à esquerda, convém lembrar que, perante esse mesmo grito de guerra, as classes médias podem muito simplesmente virar à direita, por sentirem precisamente que o seu estatuto fragilizado se defende fazendo uma aliança para cima, com os ricos, e não para baixo, com os pobres – os mesmos que, se o Estado social for demasiado generoso, pensam eles, poderão potencialmente morder os seus calcanhares - e dos seus filhos. Perante o grito da precariedade, as classes médias podem simplesmente colocar os seus filhos nas escolas privadas em vez das públicas; fazer seguros privados de saúde; aceitar o fim do welfare as we know it e a sua substituição pelo workfare; concordar com o reforçar das medidas de tolerância zero para os que Sarkozy chamou racaille. Convém pensar nestas consequências não-pretendidas de slogans e causas que à esquerda, podem fazer sentido e são legítimos, mas são que interpretadas de outra forma por quem não está particularmente preocupado com os mais desfavorecidos – pelo contrário. É por isso que é tão importante, ao mesmo tempo que se lançam os slogans e as causas, se façam propostas construtivas exequíveis – em caso contrário, essas causas podem simplesmente ser apropriadas by the wrong people, with the wrong ideas, voting for the wrong guy.
Será isto populismo por parte de Sarkozy? Talvez seja, sim. Mas é a prova que resulta eleitoralmente - ao contrário do populismo de esquerda. É preciso perceber porquê, e por que motivo, à esquerda, não vale a pena continuar com mesma retórica de sempre.
A esquerda francesa gosta de olhar com superioridade moral e ideológica para o New Labour de Blair. Pois bem, comparemos as situações: Blair vai sair agora, pelo próprio pé, depois de ter estado 10 anos no poder. A sua "terceira via" tem muitos buracos, sim, mas pelo menos foi uma plataforma ideológica minimamente coerente que lhe permitiu acabar com 18 anos de poder conservador e trazer novas ideias para a esquerda europeia. Não precisamos de concordar com todas elas para reconhecer isto. Convenhamos que, em democracia, estar no poder conta um bocadinho. Mesmo que, para tal, seja necessário convencer os eleitores - mesmo que à custa das tão heréticas "cedências". É que não é a história política, os livros-fetiche ou a ideias românticas que votam. São os eleitores.

Um Maquiavel precisa-se para a esquerda francesa.

P.S. - "C'est un très grave défaite pour la gauche, affirme Dominique Strauss-Kahn, sur TF1, citant une "troisième défaite" à la présidentielle. Il dit qu'il partage "l'inquiétude" de certains Français après l'élection de M. Sarkozy. Il salue le "combat courageux" de Ségolène Royal. "Jamais la gauche n'a été aussi aussi faible au premier tour, répète-t-il. Pourquoi ? Parce que la gauche française n'a toujours pas fait sa rénovation."

Vindo de quem vem, é preciso ter descaramento!

Thursday, May 3, 2007

Posição original

O "Véu de Ignorância" está de regresso. Em Fevereiro do ano passado iniciei-me nestas coisas da blogosfera com a parceria desse amigo único que é o Pedro Alcântara da Silva. Foi uma experiência intensa de cerca de 7 meses, que me permitiu conhecer muitas pessoas. Em Janeiro último regressei ao activo em conjunto com algumas delas - a quem agradeço por me terem recuperado para estas andanças blogosféricas - nesse projecto colectivo que é "A Vez do Peão". Continuarei a colaborar com eles regularmente - mas quem me quiser seguir num registo mais pessoal - and who says personal says political - deve passar por este espaço, ainda em construção: o Véu da Ignorância II.

O senhor retratado aí à direita é John Ralws, cujas ideias servirão de inspiração, broadly speaking, para o que terei para dizer daqui para a frente - em particular o seu princípio da diferença, segundo o qual «social and economic inequalities are to be arranged so that they are (...) to the greatest benefit of the least advantaged». A igualdade possível e desejável é a igualdade que serve os vencidos.

Como inspiração inicial, ficam os belíssimos acordes do tema 'Chicago', de Sufjan Stevens.