Monday, June 4, 2007

Lançamento


À hora a que escrevo, está quase a começar o lançamento, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, do novo livro do Renato Carmo, De Aldeia a Subúrbio. Trinta anos de uma Comunidade Alentejana, publicado pela Imprensa de Ciências Sociais.

Não vou poder estar lá, mas queria deixar ao Renato - com quem tenho o hábito de discutir a sério, por vezes para além das regras da cordialidade, no Peão - um abraço de parabéns pela publicação do que é, pelo que ele me explicou, parte do seu trabalho de doutoramento.
Adenda: faltei ao lançamento, mas não ao jantar, claro! - com escolha a propósito, a Casa do Alentejo.

One laugh a day keeps the doctor away

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, acusou ontem o Bloco de Esquerda de ter "uma deriva social-democrata", ao tomar uma posição idêntica à da UGT em relação à greve geral.

Sunday, June 3, 2007

É boa ideia, é verdade

António Costa quer estimular uso de bicicletas em Lisboa.

Lisboa não é uma cidade tão plana como Barcelona ou Paris ou Amsterdão ou Edimburgo - cidades onde já tive a oportunidade e sorte de andar de bicicleta -, mas não é preciso muito boa vontade para reconhecer, que em certas áreas da cidade, seria perfeitamente possível procurar implementar - ou aumentar - o uso das bicicletas. Não causaria nenhuma estrondosa revolução no volume do tráfego automóvel nem na qualidade no ar, mas ajudaria um pouco a melhorar a qualidade de vida. Já discuti, com os meus amigos do Peão, esta questão há uns meses, e foram feitas algumas propostas interessantes.

Mas mais importante do que isto é pensar o que fazer para resolver o complicado problema do trânsito. A ideia de uma portagem à entrada de Lisboa, um pouco à semelhança do que foi feito em Londres, seria uma hipótese, mas talvez seja uma penalização excessiva para quem vive fora do seu perímetro. Seja qual for a solução (ou soluções) adoptada(s), a melhoria na qualidade e quantidade nos transportes públicos é absolutamente obrigatória.

É importante perceber o que se passou em Londres (indepentemente do mérito da solução adoptada, conhecida como congestion charge), onde pessoas que estavam mais do que habituadas a usar o carro começaram a mudar, lentamente, os seus hábitos e chegaram, ao fim de algum tempo, à conclusão que não era assim tão difícil abandonar o transporte individual para passar a usar de forma regular os transportes públicos.

E seria também interessante explorar as oportunidades que o que Jeremy Rifkin chama Age of Access pode trazer para a melhoria da qualidade de vida individual e colectiva. Rifkin especula que estamos a entrar numa era em que a posse dos bens está a dar lugar ao seu aluguer: ou seja, não é tanto a propriedade que conta, mas a capacidade de acesso a bens e serviços que orienta(rá) o comportamento do consumidor e estimula(rá) o fornecimento de serviços pelas empresas. Num exemplo adequado ao problema em discussão, seria, assim, cada vez mais fácil, barato e atractivo alugar um carro num esquema flexível, eventualmente partilhando-o com outros, do que comprá-lo para uso individual (e/ou familiar); para isto, em inúmeros países e cidades já existem club-sharing cars.

Serviços deste tipo, feitos à medida dos interesses personalizados de cada um - e que estão absolutamente banalizados no aluguer de filmes, por exemplo, mas que se começam a ver no uso das bicicletas, em algumas cidades, pelo menos (como vi, por exemplo, em Lyon) -, podem servir não apenas para melhorar a qualidade de vida individual e colectiva em inúmeras áreas, mas também, quem sabe, para mudar as mentalidades, talvez no sentido de um "novo colectivismo" ou, pelo menos, de novas práticas cooperantes, talvez em detrimento do tal individualismo possessivo que, sendo em inúneras coisas individualmente racional, pode gerar tantas irracionalidades colectivas.

Saturday, June 2, 2007

Marcel Proust

«In reading, friendship is suddenly brought back to its original purity. There is no false amiability with books. If we spend the evening with these friends, it is because we genuinely want to».




Thursday, May 31, 2007

Coisas a não esquecer (II)

«It is possible for a dictator to govern in a liberal way. And it is possbile that a democracy governs with a total lack of liberalism. My personal preference is for a liberal dictator and not for a democratic government lacking in liberalism».

Friederich Von Hayek, em entrevista ao jornal chileno "El Mercurio", a 12 de Abril de 1981 (citado por Bowles e Gintis no livro referido no post anterior, p.11-12)

Coisas a não esquecer

«Though the architects of the welfare state had not stressed the point, economic stagnation and instability may occur not only because the capitalist class is 'too strong' but also because it is 'too weak'. When the capitalist class is 'too strong' it shifts the income in its favor, reducing the ratio of working-class consumption to national income and rendering the economy prone to a failure of total demand. By contrast, when the capitalist class is 'too weak' the working class or ther claimants on income squeeze the rate of profit and reduce the level of investment (perhaps by inducing to seek greener pastures elsewhere)».

Dos insuspeitos por 'simpatias capitalistas' Samuel Bowles and Herbert Gintis, em Democracy & Capitalism. Property, Community, and the Contradictions of Modern Social Thought, NY, Basic Books, 1986 (p.6).

Wednesday, May 30, 2007

Já não era sem tempo

Medicina dentária nos centros de saúde.

Dawn



Mais ali do que aqui

Nos últimos dias tenho estado mais no Peão, a partir dos desenvolvimentos que ligados a este post que escrevi sobre em resposta à intervenção inicial do Nuno Teles.

Hoje é dia de greve geral e depois devo escrever qualquer coisa sobre isto.

Entretanto quinta-feira é dia de Andrew Bird no São Jorge, espero que seja um grande concerto.
Fica um aperitivo, 'Measuring Cups', do álbum de 2005, "The Mysterious Production of Eggs".






Entretanto, passem pelo blogue do Ivan Nunes, chamado...Ex-Ivan Nunes. Just don't ask. Read.

Sunday, May 27, 2007

Yann Tiersen - La Terrasse



Do álbum Tout Est Calme (1999)






La Terrasse
Un après-midi là, dans la rue du Jourdain,
on peut dire qu'on était bien,
assis à la terrasse du café d'en face
on voyait notre appartement.

Je ne sais plus si nous nous étions tus ou
si nous parlions tout bas là au café d'en bas,
mais je revois très bien la table et tes mains,
le thé, le café et le sucre à côté.

Puis d'un coup c'est parti, tout s'est effondré,
on n'a pas bien compris, tout a continué,
tandis qu'entre nous s'en allait l'équilibre,
plus jamais tranquilles, nous tombions du fil.

Cet après-midi là, dans la rue du Jourdain,
en fait tout n'allait pas si bien,
assis à la terrasse du café d'en face
on voyait notre appartement,
si triste finalement avec nous dedans.

Saturday, May 26, 2007

Mensagens numa garrafa (II)

POST FESTUM

A dor pela deterioração dos relacionamentos amorosos não é apenas, como se supõe, o medo da retirada do amor, nem o tipo de melancolia narcísica descrita por Freud com tanta perspicácia. Nela está também envolvido o medo de que o sentimento do próprio sujeito seja transitório. Tão pouca é a margem que resta para os impulsos espontâneos, que qualquer um a quem eles ainda sejam concedidos vivencia-os como uma alegria e uma dádiva, mesmo quando eles causam dor, e chega a experimentar os derradeiros vestígios aflitivos da intuição como um bem a ser ferozmente defendido, para que o próprio sujeito não se transforme noutra coisa. O medo de amar o outro é, sem dúvida, maior que o de perder o amor desse outro. A ideia - que nos oferecem como um consolo - de que, dentro de alguns anos, não entenderemos a nossa paixão e seremos capazes de deparar com a mulher amada, acompanhada, sem experimentar nada além de uma curiosidade surpresa e passageira, consegue ser sumamente exasperante para aquele a quem é apresentada. É o cúmulo da blasfémia a ideia de que a paixão, que rompe o contexto da utilidade racional e parece ajudar o eu a escapar da sua prisão monádica, seja uma coisa relativa, capaz de ser reajustada à vida individual através da ignominiosa razão. No entanto, inescapavelmente, a própria paixão, ao vivenciar o limite inalienável entre duas pessoas, é forçada a reflectir exactamente sobre esse impulso, e com isso, no acto de ser dominada por ele, a reconhecer a futilidade da sua dominação. Na verdade, sempre se soube da inutilidade; a felicidade estava na ideia absurda de ser arrebatado, e cada uma das vezes em que isso deu errado foi a última, foi a morte. A transitoriedade daquilo em que a vida mais se concentra irrompe justamente nessa concentração extrema. E ainda por cima, o amante infeliz tem que admitir que, exactamente onde julgava estar esquecendo de si, amava apenas a si mesmo. Nenhuma dose de franqueza permite sair do círculo culpado do natural; isso só se consegue com a reflexão sobre quão fechado ele é.

Theodor W.Adorno

Mensagens numa garrafa (I)

A LIBERDADE COMO ELES A ENTENDEM

As pessoas manipularam a tal ponto o conceito de liberdade, que ele acabou por se reduzir ao direito dos mais fortes e mais ricos de tirarem dos mais fracos e mais pobres o que estes ainda têm. As tentativas de modificar isso são encaradas como intromissões lamentáveis no campo do próprio individualismo, que, pela lógica dessa liberdade, dissolveu-se num vazio administrado. Mas o espírito objectivo da linguagem não se deixa enganar. O alemão e o inglês reservam a palavra 'livre' para os bens e serviços que não custam nada. À parte a crítica da economia política, isso testemunha a falta de liberdade que a relação de troca, ela mesma, pressupõe; não há liberdade enquanto tudo tem um preço e, na sociedade reificada, as coisas isentas do mecanismo do preço só existem como rendimentos lastimáveis. Ante uma inspecção mais rigorosa, costuma-se constatar que também elas têm o seu preço e constituem migalhas dadas juntamente com as mercadorias, ou, pelo menos, com a dominação: os parques tornam as prisões mais suportáveis para quem não está dentro delas. Entretanto, para as pessoas de temperamento livre, espontâneo, sereno e impertubrável, que da falta de liberdade extraem a liberdade como um privilégio, a linguagem reserva, prontinho, um nome apropriado: desaforo.

Theodor W.Adorno

*"Mensagens numa garrafa" constava da versão original do livro Minima Moralia (publicado em alemão em 1974), mas foi omitido na publicação final (uma versão inglesa do livro pode ser encontrada aqui). A tradução de "Mensagens numa garrafa" em língua inglesa foi publicada pela primeira vez em 1993, na "New Left Review", nº200, Jul/Ago. Em português pode ser encontrado nesta edição brasileira de 1996 d'O Mapa da Ideologia, livro organizado pelo filósofo esloveno Slavoj Zizek (tradução do original inglês de 1994 publicado pela Verso, claro).

Friday, May 25, 2007

David Lanz - Leaves on the Seine



Do álbum Nightfall (1985)

As vitórias (?) dos trabalhadores "europeus"

O caso que o Nuno Teles relata no Ladrões de Bicicletas deixa-me francamente ambivalente. Não vou repetir os pormenores factuais que estão descritos no post do Nuno. O que me incomoda q.b. é o discurso de vitória dos trabalhadores - devidamente sancionado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia - protegidos pelo sindicato sueco contra os trabalhadores letões.

O argumento, claro, é o do "dumping" social: os letões ganham, isto é, cobram menos, substancialmente menos que os suecos. O Nuno acha que isto foi uma vitória do modelo sueco, do qual eu também sou adepto. Talvez o seja. Mas não vejo em lado nenhum preocupação pelo que aconteceu aos trabalhadores letões que perderam o contrato. Serão uma mera "externalidade"?

Pensemos de forma contrafactual por um instante e imaginemos que os letões ganharam o contrato. O que aconteceria aos trabalhadores suecos? Caso não tenham outros contratos em vista, cairiam na rede daquele que é um dos Estados sociais mais - senão o mais, tirando o Luxemburgo - generosos da Europa (ver quadro). Os trabalhadores letões, esses, ganhariam algum dinheiro e experiência. Para a "próxima", talvez os seus salários não fossem tão baixos e o tal "dumping", por parte dos investidores, não fosse tão atractivo, e outras coisas que não o preço da mão-de-obra pesassem mais na decisão (e como sabemos, as variáveis são múltiplas).

Voltemos à realidade: o que vai acontecer depois desta decisão? Os trabalhadores suecos talvez fiquem mais ricos. Os trabalhadores letões, esses, seguramente, não o vão ficar. E vão ficar, se não tiverem alternativas, entregues ao sistema nacional que menos gasta na protecção dos trabalhadores (ver quadro). E para a próxima, vão muito provavelmente ter de concorrer com base em valores mais baixos, agravando o "dumping". Porque não ficaram mais ricos depois desta decisão, maior é o incentivo para que aceitem, no futuro, condições mais adversas e salários mais baixos. Como facilmente se percebe, esta dinâmica arrisca-se a transformar em espiral - fazendo com que a luta contra o "dumping" por parte dos protegidos alimente, precisamente, no momento seguinte, a tentação do "dumping" por parte dos não-protegidos.

O Nuno diz que foram os trabalhadores "europeus" que ganharam. Bom, talvez, se partirmos do princípio que os letões não são europeus. E se partirmos de princípio que há outra saída para os trabalhadores letões enriquecerem que não passe por, provisoriamente, terem que aceitar salários que são bem mais baixos que os dos seus "camaradas" suecos. E se partirmos do princípio que é assim que se luta contra as desigualdades intra-europeias. E se partirmos do princípio que a esquerda deve defender os bem estabelecidos insiders contra os precários outsiders. E assim por diante.

Imaginem que isto se passava entre os trabalhadores suecos e portugueses - com estes no papel de letões. Deveríamos aplaudir a vitória dos trabalhadores suecos, mesmo que isso aumentasse o desemprego em Portugal? Daria certamente mais uma razão para protestar contra o Governo...

Esta "vitória" protege os trabalhadores mais ricos da Europa e mantém lá bem no fundo os mais pobres. Se isto é uma "vitória" da "esquerda europeia", então tem de ser de Pirro. E, depois, um dia, não estranhem que os trabalhadores letões, se lhes perguntarem o significa para eles a "Europa social", eles respondam que é uma enorme hipocrisia.

Thursday, May 24, 2007

Solidariedade

A notícia de que as progressões na carreira dos trabalhadores do Estado vão ficar congeladas até 2009 não é simpática, mas já era tempo de que os militantes da contestação se lembrassem da crise que o país atravessa, e que há quem esteja muito mais desprotegido dos que os que trabalham no sector público - por exemplo, os muitos milhares de desempregados no sector privado. Esses nem sonham sequer em obter um pouco da protecção que os funcionários públicos têm - e que acham que é sempre pouca.

Um bocadinho mais de humildade e altruísmo - inter-sectorial, se quiserem - precisa-se. Afinal, é isso que quer dizer solidariedade, não é?

Sunday, May 20, 2007

Joie au travail

«Savoir de quelqu'un qu'il travaille volontiers ou à contrecoeur, c'est encore ne rien savoir de lui. La personne qui sténograhie avec enthousiasme, dix heures durant, des lettres d'affaires qui ne la concernent aucunement, celle qui fait de la comptabilité ou celle qui se trouve à la chaîne n'ont pas lieu de nous réjouir si elles collaborent directement par plaisir à l'ouvrage et non pour des motifs éloignés. Celui qui a une profession intellectuelle, ou bien demeure indépendant et peut changer d'activité, fait partie des élus. Il arrive que les chefs d'entreprise, dans les périodes spécialement tendues, quand on établit par example le bilan de leurs profits, restent dans les bureaux plus longtemps que la majorité de leurs employés. Alors le patron dit habituellement: "Les employés n'ont pas de plaisir au travail. Je ne les comprends pas. Moi, je pourrais travallier toute la nuit sans me lasser." Cette mentalité, les chefs d'entreprise ne l'ont pas seulement dans ces périodes d'exception, mais somme toute à longueur d'année. Les employés devraient bien les comprendre.»

Max Horkheimer, Crépuscule. Notes en Allemagne (1926-1931)
[Paris: Éditions Payot, 1994, p.115]

Friday, May 18, 2007

The Album Leaf - Twenty Two Fourteen



Do álbum In a Safe Place (2004)

Analisar os números do desemprego numa perspectiva comparada, se faz favor

Os números do desemprego vindos hoje a público reforçam ainda mais a importância e urgência da minha mensagem da posta anterior. Estamos perante uma situação em que a retoma no crescimento não se traduz numa retoma no emprego. Em contexto de aperto orçamental, não há grande margem de manobra para políticas de fundo. Mas mais importantes que as políticas no momento dado, são as instituições que as suportam. Convém não esquecer que a explosão do desemprego desde 2001 em Portugal não faz mais do que alinhar, ou melhor, aproximar Portugal com os números do desemprego dos países mediterrânicos, em particular Espanha, Itália e Grécia, e, claro, alguns países continentais. Ou seja, Portugal estava "mal habituado" a ter taxas de desemprego próximas do nível dos páises nórdicos, com uma diferença: o equilíbrio destes assenta em instituições e níveis de qualificações e salariais muito diferentes dos nossos. O que acontece é que simplesmente o nosso low skill equilibrium deixou de sustentar o crescimento e o baixo desemprego que tivemos, grosso modo, durante o mandato de António Guterres. Esse modelo de crescimento estava, numa Europa em alargamento e num mundo em globalização, obviamente, condenado a morrer. Não era sustentável, porque os eslovacos, checos e companhia são bem mais qualificados e cobram bem menos que os nossos trabalhadores - para não falar em deslocalizações para fora da Europa. Portanto, se olharmos para o panorama geral numa perspectiva comparada, eu pergunto como é que não atingimos estes números de desemprego mais cedo, e até onde eles podem subir - porque podem subir mais, como subiram na Espanha dos anos 80 e 90 até ultrapassar os 20%, sem nunca voltar a baixar dos 10%. Até há uns anos atrás, Portugal tinha sido uma excepção, mas uma excepção pelos motivos errados - por podermos fazer de segundo-mundo interno à UE. Agora os países de Leste substituíram-nos nesse papel. A herança comunista deixou-lhes forças de trabalho altamente qualificadas e desigualdades baixas. A nossa herança salazarista deixou-nos uma força de trabalho com baixas qualificações e uma sociedade altamente desigual: coisa que 30 anos de democracia não conseguiram alterar de forma profunda.

Os próximos anos não vão ser fáceis e, se não estou enganado, as dinâmicas macroeconómicas vão pressionar uma mudança interna no PSD em direcção a um programa neo-liberal. Nas próximas eleições, vão-nos prometer querer transformar Portugal na "Irlanda do Mediterrâneo" ou coisa do género. Não acho que, eleitoralmente, tenham muita sorte. Mas a questão, para o país, não é essa. É o que o PS pode e deve fazer enquanto estiver no poder - independentemente do que o PSD defender.