Wednesday, July 25, 2007
Policy vs. politics
A imprensa e a oposição à direita - em particular o PSD - vivem cada vez mais da exploração dos casos - uns delicados, outros apenas exagero desmesurado - do que os anglo-saxónicos, sabiamente, afirmam pertencer ao domínio da politics, o da luta política quotidiana, onde vale mais ou menos tudo. A policy, essa, o espaço das orientações e objectivos estratégicos da política, fica sempre para segundo plano. Isto não é necessariamente estranho nem totalmente negativo: o que se faz - e como se faz - no dia-a-dia conta, e a pressão mediática tem destas coisas. Chama-se, afinal de contas, democracia. Mas convém não perder de vista o domínio da policy, sob pena de toda a discussão ficarmos reféns do que, sem termos presente um sentido do objectivo e do significado real da política, pode acabar na mais decadente intriga.
Tuesday, July 24, 2007
Wednesday, July 18, 2007
Os loucos anos 90 III
Os Pulp - also known as the most sociologically-minded-band-of-the-1990's-post-Thatcherist-Britain - com 'Common People', do álbum "Different Class" (1995).
Tuesday, July 17, 2007
Monday, July 16, 2007
Michael Moore e a CNN
O João Caetano chamou-me a atenção - e bem - por e-mail para o "debate" em curso entre a CNN e o Michael Moore no seguimento da reportagem e da entrevista a que aludi aqui. A CNN corrige algumas estatísticas usadas por Moore, e ainda bem.
Simplesmente, a questão central do debate não é essa. A dimensão e o significado político - e se quiserem, ideológico e moral - da discussão não se resolve com hiper-preciosismos estatísticos. Este só é necessário quando as disputas são too close to call. Mas, no caso em questão, saber se os EUA estão uns lugares acima ou abaixo nas tabelas internacionais ou se, em comparação com os outros países, gasta, per capita, umas centenas de dólares a mais ou menos em saúde não é de todo o que está em causa. O excesso de zelo estatístico não resolve o problema gravíssimo de um sistema que, como já havia escrito aqui, é incapaz de proteger uma parte muito significativa da população (46,6 milhões segundo dados de 2005, ou seja, 16% da população - sem dúvida aquela que mais precisaria de cuidados de saúde), já para não falar da cobertura incipiente de muitos. Para além dos 46 milhões acima referidos, estima-se que 37 milhões estão sem seguro largos durante períodos de tempo (dado que os seguros estão tipicamente attached aos empregos, quando se perde o emprego perde-se também o seguro de saúde), já para não falar daqueles que estão underinsured, uma vez que seguro de que dispõem é altamente limitado nos serviços e medicamentos que cobre.
Podíamos estar a discutir se são, de facto, 37 milhões ou 36 milhões, ou se o número mais correcto é 16% ou 15% ou se....O problema está lá e, sobretudo, está a agudizar-se. A CNN pode ter pontual razão estatística; Moore (de quem não sou grande fã) tem razão política - e, se quiserem, moral.
Simplesmente, a questão central do debate não é essa. A dimensão e o significado político - e se quiserem, ideológico e moral - da discussão não se resolve com hiper-preciosismos estatísticos. Este só é necessário quando as disputas são too close to call. Mas, no caso em questão, saber se os EUA estão uns lugares acima ou abaixo nas tabelas internacionais ou se, em comparação com os outros países, gasta, per capita, umas centenas de dólares a mais ou menos em saúde não é de todo o que está em causa. O excesso de zelo estatístico não resolve o problema gravíssimo de um sistema que, como já havia escrito aqui, é incapaz de proteger uma parte muito significativa da população (46,6 milhões segundo dados de 2005, ou seja, 16% da população - sem dúvida aquela que mais precisaria de cuidados de saúde), já para não falar da cobertura incipiente de muitos. Para além dos 46 milhões acima referidos, estima-se que 37 milhões estão sem seguro largos durante períodos de tempo (dado que os seguros estão tipicamente attached aos empregos, quando se perde o emprego perde-se também o seguro de saúde), já para não falar daqueles que estão underinsured, uma vez que seguro de que dispõem é altamente limitado nos serviços e medicamentos que cobre.
Podíamos estar a discutir se são, de facto, 37 milhões ou 36 milhões, ou se o número mais correcto é 16% ou 15% ou se....O problema está lá e, sobretudo, está a agudizar-se. A CNN pode ter pontual razão estatística; Moore (de quem não sou grande fã) tem razão política - e, se quiserem, moral.
Independência já!
O presidente do Governo Regional da Madeira, que suspendeu a aplicação na região da lei que despenaliza o aborto, considerou hoje que é Portugal «quem está na ilegalidade», por aplicar uma lei que não respeita o direito à vida.«Na minha formação política, primeiro estão os grandes princípios da defesa da pessoa humana e só depois está o positivismo da lei escrita», declarou.
Alguém pode explicar ao dr.Alberto João Jardim a diferença entre um Estado de Direito e um Estado "Moral"?
Cada vez que oiço/leio este criatura dizer estas cretinices, eu pergunto onde está o PSD. Aceitar calado - como se João Jardim fosse uma espécie de político freelancer, sem responsabilidades institucionais e partidárias - estas coisas é mais grave do que ter ficado em 3º nas eleições intercalares de Lisboa (coisa que origina logo a marcação de um congresso); é um continuado péssimo serviço que um partido como o PSD presta à qualidade da democracia e das instituições política portuguesas.
Se um dia oferecerem a independência ao dr.Jardim - coisa que pessaolmente não me importava nada - eu queria ver contra quem iria disparar o seu irresponsável discurso "anti-colonial". Politicamente falando, a Madeira continua mais perto da América Latina do que do "Contenente".
Alguém pode explicar ao dr.Alberto João Jardim a diferença entre um Estado de Direito e um Estado "Moral"?
Cada vez que oiço/leio este criatura dizer estas cretinices, eu pergunto onde está o PSD. Aceitar calado - como se João Jardim fosse uma espécie de político freelancer, sem responsabilidades institucionais e partidárias - estas coisas é mais grave do que ter ficado em 3º nas eleições intercalares de Lisboa (coisa que origina logo a marcação de um congresso); é um continuado péssimo serviço que um partido como o PSD presta à qualidade da democracia e das instituições política portuguesas.
Se um dia oferecerem a independência ao dr.Jardim - coisa que pessaolmente não me importava nada - eu queria ver contra quem iria disparar o seu irresponsável discurso "anti-colonial". Politicamente falando, a Madeira continua mais perto da América Latina do que do "Contenente".
Lisboa
A esquerda, no grande arco que vai do PCTP/MRPP ao PS, obteve cerca de 57% dos votos nas eleições intercalares de ontem em Lisboa. Continua, portanto, a ser uma cidade que vota predominantemente à esquerda. E, porém, se o PSD não estivesse partido ao meio, dividido entre as candidaturas de Carmona Rodrigues e Fernando Negrão, talvez tivesse ganho (os seus votos somam quase 32,5% dos votos, mais 3% do que a candidatura de António Costa). O que à direita é uma excepção é à esquerda a regra. Podíamos ter pago caro - se é que não o vamos pagar na governação de uma câmara dificilmente governável, em função dos mandatos atribuídos. Vamos ver se alguns conseguem ir para além da política do "bate pé".
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Love is a fire
«Love is a fire
It burns everyone
It desfigures everyone
It is the world's excuse
for being ugly».
Leonard Cohen,
in "Poemas e Canções". Vol.I (original de 1993; versão portuguesa editada pela Relógio d'Água, com tradução de Margarida Vale do Gato e Manuel Alberto)
It burns everyone
It desfigures everyone
It is the world's excuse
for being ugly».
Leonard Cohen,
in "Poemas e Canções". Vol.I (original de 1993; versão portuguesa editada pela Relógio d'Água, com tradução de Margarida Vale do Gato e Manuel Alberto)
Thursday, July 12, 2007
"Sicko", Michael Moore, a CNN e o papão da "socialized medicine"
Vale mesmo a pena perder aí um quarto de hora a ver estas peças televisivas que o Daniel Oliveira colocou aqui, bem como o seu comentário. Aquela peça da CNN sobre o novo filme de Michael Moore, "Sicko", é má demais. Independentemente da qualidade do filme de Moore (mas a realidade que retrata, relativa ao sistema de saúde norte-americano, é razoavelmente consensual), nada justifica semelhante jornalismo rasteiro. Se estes são os "padrões de jornalismo de qualidade mundial" da CNN, então estamos conversados.
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Wednesday, July 11, 2007
Será possível que Sarkozy - e o FMI - contribua decisivamente para a renovação do Partido Socialista Francês?
A resposta parece, à distância, ser um supreendente sim. Isso sim, seria uma acção em nome do "interesse geral"!
Monday, July 9, 2007
Futebol, ano 0
Há muitos anos, as coisas do mercado de transferência futebolístico levaram Ronaldo, que jogava então no PSV Endhoven, a assinar pelo FCBarcelona. Muito por culpa disso, 1995/1996 é o ano futebolístico de que tenho mais saudades. Ronaldo parecia um jogador do outro mundo, sistematicamente mais forte, mais rápido e mais habilidoso do que os 3 ou 4 jogadores que o circundavam e o abordavam no limite da violência. Depois daquilo, não tenho grande pena de não ter visto Pelé, Eusébio e companhia a jogar ao vivo.
Depois Ronaldo foi na cantiga das liras e trocou o Barcelona pelo futebol italiano. Foi uma pena. O catenaccio foi acabando com as suas pernas e o Barcelona sentiu a sua perda. Pior, mesmo, só o impacto sobre os adeptos que ainda guardam na memória as emoções que aquele ano - e em particular aquele mágico 5-4 contra o Atlético de Madrid na Taça do Rei - proporcionou.
Bom, mas 2007/2008 promete muito. É que Thierry Henry, que é provavelmente o melhor jogador mundo, deixou finalmente o Arsenal para se transferir para, claro, o FCBarcelona. Digo finalmente porque, apesar de o Arsenal ser o clube inglês de que mais gosto, Henry merecia um clube melhor. Como melhor jogador do mundo, já merecia estar naquele que é provavelmente o melhor clube do mundo.
Restam-lhe provavelmente ainda mais 2 anos com a mesma capacidade atlética. É tempo suficiente para fazer muitas das coisas que podem encontrar no video seguinte.
Depois Ronaldo foi na cantiga das liras e trocou o Barcelona pelo futebol italiano. Foi uma pena. O catenaccio foi acabando com as suas pernas e o Barcelona sentiu a sua perda. Pior, mesmo, só o impacto sobre os adeptos que ainda guardam na memória as emoções que aquele ano - e em particular aquele mágico 5-4 contra o Atlético de Madrid na Taça do Rei - proporcionou.
Bom, mas 2007/2008 promete muito. É que Thierry Henry, que é provavelmente o melhor jogador mundo, deixou finalmente o Arsenal para se transferir para, claro, o FCBarcelona. Digo finalmente porque, apesar de o Arsenal ser o clube inglês de que mais gosto, Henry merecia um clube melhor. Como melhor jogador do mundo, já merecia estar naquele que é provavelmente o melhor clube do mundo.
Restam-lhe provavelmente ainda mais 2 anos com a mesma capacidade atlética. É tempo suficiente para fazer muitas das coisas que podem encontrar no video seguinte.
Friday, July 6, 2007
Não matem o bebé...
Carvalho da Silva acusa debate sobre flexigurança de estar enviesado.
Resta saber quem o enviesou ou tem mais interesse em enviesá-lo. Sob pena de se fazerem comparações directas e frágeis com a Dinamarca, está-se a retirar a virtualidade à flexisegurança, que deve ser concebido como um modelo de relações laborais de geometria relativamente variável, e não como uma solução mágica e de tamanho único.
A discussão em torno deste modelo deve continuar, de forma serena, e sem a intenção deliberada de assustar as pessoas, que por vezes parece ser o primeiro objectivo sindical.
Convém não esquecer uma coisa para os próximos anos: se o mercado de trabalho português não sofrer algum tipo de flexibilização, não vejo como a economia terá capacidade para (e os agentes económicos interesse em) gerar emprego, de forma a absorver as pessoas cujo emprego nenhum código laboral, nem o mais seguro do mundo, vão muito provavelmente ser perdido, devido à competição internacional. Costumo dizer que aqui não vale mesmo nada a pena ser "fetichista da lei", e pensar que ela resolve tudo; não só não resolve (há tantas formas de a evitar: não criar emprego; comprar uma máquina em vez de contratar um trabalhador; sub-contratar o trabalhador com esquemas hiperflexíveis; alimentar o mercado negro, onde nenhuma lei conta, tirando, claro, a "lei do mais forte", etc.) como por vezes pode jogar contra as pessoas - a começar pelos desempregados. No sindicalismo costuma-se dizer que é uma estupidez "colocar trabalhadores contra trabalhadores", mesmo que um destes grupo reúna trabalhadores no desemprego (que querem o que só os primeiros têm e que é limitado: emprego); no plano teórico eu até concordo, mas sou sensível à miopia ideológica a que isto pode levar: é que não se trata de, no discurso, supostamente maquivélico, colocar trabalhadores contra trabalhadores; trata-se de reconhecer que, na realidade do mercado laboral, os trade-offs existentes e a que ninguém pode fugir, esta competição existe, e que para a tornarmos mais equitativa e redistribuirmos os riscos, temos que partir da realidade do problema em vez de nos fecharmos em slogans ideológicos. O problema existe, e é o seu reconhecimento que nos deve obrigar a olhar de frente e a procurar a solução mais adqueada a todos, a começar pelos interesses dos mais fracos. Ou seja, a unidade dos trabalhadores deve ser o resultado almejado pela reflexão e pela acção política inteligente e correcta, e não um a priori ideológico que pode, no limite, apenas reproduzir os problemas - os problemas dos mesmos trabalhadores que os sindicatos representam.
Enquanto modelo, a flexisegurança é, implica, obriga também a uma mudança de mentalidades. O essencial no futuro não é proteger os empregos a todo o custo (isso, convém repetir, nenhuma lei conseguirá, e isso nem sequer é desejável em todos os contextos); o essencial é proteger as pessoas, estejam elas empregadas num dado momento ou não. Se não gostarem da palavra "flexisegurança", arranjem outra; mas este princípio é muito importante, demasiado importante para ser denegrido ou esquecido pelos interesses imediatos do sindicalismo, que deve reconhecer a amplitude do problema do desemprego (em particular o de longa duração) e da dificuldade da criação de emprego (ainda por cima num contexto de acelerado desenvolvimento tecnológico, onde compensa muito mais, para algumas tarefas, "contratar" uma máquina) em algumas economias da Europa. E sem capacidade de criação de emprego, muito dificilmente teremos um mecanismo sustentado para evitar o cavar do fosso das desigualdades.
Adenda 1: ler, sobre o mesmo assunto, isto.
Adenda 2: o debate prossegue aqui.
Resta saber quem o enviesou ou tem mais interesse em enviesá-lo. Sob pena de se fazerem comparações directas e frágeis com a Dinamarca, está-se a retirar a virtualidade à flexisegurança, que deve ser concebido como um modelo de relações laborais de geometria relativamente variável, e não como uma solução mágica e de tamanho único.
A discussão em torno deste modelo deve continuar, de forma serena, e sem a intenção deliberada de assustar as pessoas, que por vezes parece ser o primeiro objectivo sindical.
Convém não esquecer uma coisa para os próximos anos: se o mercado de trabalho português não sofrer algum tipo de flexibilização, não vejo como a economia terá capacidade para (e os agentes económicos interesse em) gerar emprego, de forma a absorver as pessoas cujo emprego nenhum código laboral, nem o mais seguro do mundo, vão muito provavelmente ser perdido, devido à competição internacional. Costumo dizer que aqui não vale mesmo nada a pena ser "fetichista da lei", e pensar que ela resolve tudo; não só não resolve (há tantas formas de a evitar: não criar emprego; comprar uma máquina em vez de contratar um trabalhador; sub-contratar o trabalhador com esquemas hiperflexíveis; alimentar o mercado negro, onde nenhuma lei conta, tirando, claro, a "lei do mais forte", etc.) como por vezes pode jogar contra as pessoas - a começar pelos desempregados. No sindicalismo costuma-se dizer que é uma estupidez "colocar trabalhadores contra trabalhadores", mesmo que um destes grupo reúna trabalhadores no desemprego (que querem o que só os primeiros têm e que é limitado: emprego); no plano teórico eu até concordo, mas sou sensível à miopia ideológica a que isto pode levar: é que não se trata de, no discurso, supostamente maquivélico, colocar trabalhadores contra trabalhadores; trata-se de reconhecer que, na realidade do mercado laboral, os trade-offs existentes e a que ninguém pode fugir, esta competição existe, e que para a tornarmos mais equitativa e redistribuirmos os riscos, temos que partir da realidade do problema em vez de nos fecharmos em slogans ideológicos. O problema existe, e é o seu reconhecimento que nos deve obrigar a olhar de frente e a procurar a solução mais adqueada a todos, a começar pelos interesses dos mais fracos. Ou seja, a unidade dos trabalhadores deve ser o resultado almejado pela reflexão e pela acção política inteligente e correcta, e não um a priori ideológico que pode, no limite, apenas reproduzir os problemas - os problemas dos mesmos trabalhadores que os sindicatos representam.
Enquanto modelo, a flexisegurança é, implica, obriga também a uma mudança de mentalidades. O essencial no futuro não é proteger os empregos a todo o custo (isso, convém repetir, nenhuma lei conseguirá, e isso nem sequer é desejável em todos os contextos); o essencial é proteger as pessoas, estejam elas empregadas num dado momento ou não. Se não gostarem da palavra "flexisegurança", arranjem outra; mas este princípio é muito importante, demasiado importante para ser denegrido ou esquecido pelos interesses imediatos do sindicalismo, que deve reconhecer a amplitude do problema do desemprego (em particular o de longa duração) e da dificuldade da criação de emprego (ainda por cima num contexto de acelerado desenvolvimento tecnológico, onde compensa muito mais, para algumas tarefas, "contratar" uma máquina) em algumas economias da Europa. E sem capacidade de criação de emprego, muito dificilmente teremos um mecanismo sustentado para evitar o cavar do fosso das desigualdades.
Adenda 1: ler, sobre o mesmo assunto, isto.
Adenda 2: o debate prossegue aqui.
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O que faço aqui
«Não sei se o mundo mentiu
eu menti
não sei se o mundo conspirou contra o amor
eu conspirei contra o amor
O ambiente de tortura não é confortável
eu torturei
Mesmo sem a nuvem do cogumelo
teria odiado
Escutem
teria feito o mesmo
mesmo que a morte nao existisse
não me colocarão como a um bêbedo
sob a fria torneira dos factos
recuso o alibi universal
Como uma cabine telefónica vazia junto à qual passas a noite
e depois recordas
como espelhos de um vestíbulo de cinema
consultados só à saída
como uma ninfomaníaca que une um milhar
numa estranha irmandade
eu espero
que cada um de vós confesse»
Leonard Cohen, in "Poemas e Canções". Vol.I
(original de 1993; versão portuguesa editada pela Relógio d'Água, com tradução de Margarida Vale do Gato e Manuel Alberto)
eu menti
não sei se o mundo conspirou contra o amor
eu conspirei contra o amor
O ambiente de tortura não é confortável
eu torturei
Mesmo sem a nuvem do cogumelo
teria odiado
Escutem
teria feito o mesmo
mesmo que a morte nao existisse
não me colocarão como a um bêbedo
sob a fria torneira dos factos
recuso o alibi universal
Como uma cabine telefónica vazia junto à qual passas a noite
e depois recordas
como espelhos de um vestíbulo de cinema
consultados só à saída
como uma ninfomaníaca que une um milhar
numa estranha irmandade
eu espero
que cada um de vós confesse»
Leonard Cohen, in "Poemas e Canções". Vol.I
(original de 1993; versão portuguesa editada pela Relógio d'Água, com tradução de Margarida Vale do Gato e Manuel Alberto)
Thursday, July 5, 2007
Os loucos anos 90
Hoje é dia de Jesus and Mary Chains no "Super Bock Super Rock", mas a nostalgia por aqui tem o nome de Suede, com New Generation, do álbum Dog Man Star (1995), grande, grande faixa.
I wake up every day to see her back again
Screaming my name through the astral plane
And in this catalogue town she takes me down
Down through the platinum spires
Down through the telephone wires
And we shake it around in the underground
And like a new generation rise
And like all the boys in all the cities
I take the poison, take the pity
But she and I, we soon discovered
we'd take the pills to find each other
Oh but when she is calling here in my head
Can you hear her calling
And what she has said?
Oh but when she is calling here in my head
It's like a new generation calling
Can you hear it call?
And I'm losing myself, losing myself to you
I wake up every day, to find her back again
Breeding disease on her hands and knees
While the styles turn and the books still burn
Yes it's there in the platinum spires
It's there in the telephone wires
And we spread it around to a techno sound
But like a new generation rise
Cos like all the boys in all the cities
I take the poison, take the pity
But she and I we soon discover
We take the pills to find each other
Oh but when she is calling here in my head
Can you hear her calling?
And what she has said?
Oh but when she is calling here in my head
It's like a new generation calling
Can you hear her call?
And I'm losing myself, losing myself to you
Wednesday, July 4, 2007
Porque a esquerda francesa vai demorar muito tempo a regressar ao poder?
Porque o governo de François Fillon vai ocupar todo o espaço político eleitoralmente relevante, dado que se prepara para tomar uma série de medidas bastante ao centro, tocando mesmo o centro-esquerda (ver excerto da notícia do "Público on-line"). E vai deixar o Partido Socialista Francês sem espaço para respirar, vendo o centro-direita tomar medidas que devia ser ele a adoptar, se estivesse no poder. Pela enésima vez desde 1958.
No mesmo espírito de reforma, Fillon anunciou um aumento das dotações para as universidades – que classificou como a sua "prioridade absoluta" –, elevando para cinco mil milhões de euros o investimento no ensino superior até 2012. "Queremos reformar a universidade francesa e fazer das nossas escolas pólos de excelência, dispondo de real autonomia, financeiramente responsáveis e pedagogicamente melhoradas", afirmou, dizendo esperar que nos próximos anos seja possível que 50 por cento dos jovens franceses obtenham um diploma do superior. O Governo pretende também aumentar o investimento na investigação para três por cento do PIB – nível considerado desejável pela UE. "Não serei dos que sacrificam a investigação essencial sob pretexto de que ela é improdutiva a curto prazo", justificou, lembrando que França tem vindo a perder terreno nesta área para outros países europeus. A construção de 120 mil habitações sociais por ano, a aposta na formação profissional e um plano para os bairros considerados difíceis foram outras das promessas feitas pelo novo primeiro-ministro na intervenção no Parlamento, durante o qual confirmou que o Governo irá aplicar o princípio da admissão de um único funcionário por cada dois que se reformem.
No mesmo espírito de reforma, Fillon anunciou um aumento das dotações para as universidades – que classificou como a sua "prioridade absoluta" –, elevando para cinco mil milhões de euros o investimento no ensino superior até 2012. "Queremos reformar a universidade francesa e fazer das nossas escolas pólos de excelência, dispondo de real autonomia, financeiramente responsáveis e pedagogicamente melhoradas", afirmou, dizendo esperar que nos próximos anos seja possível que 50 por cento dos jovens franceses obtenham um diploma do superior. O Governo pretende também aumentar o investimento na investigação para três por cento do PIB – nível considerado desejável pela UE. "Não serei dos que sacrificam a investigação essencial sob pretexto de que ela é improdutiva a curto prazo", justificou, lembrando que França tem vindo a perder terreno nesta área para outros países europeus. A construção de 120 mil habitações sociais por ano, a aposta na formação profissional e um plano para os bairros considerados difíceis foram outras das promessas feitas pelo novo primeiro-ministro na intervenção no Parlamento, durante o qual confirmou que o Governo irá aplicar o princípio da admissão de um único funcionário por cada dois que se reformem.
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