Não gosto de perder muito tempo a falar da incapacidade política - da policy, não da politics - do PSD, mas às vezes não há mesmo como resistir, tal o ridículo da situação.
Assim, Marques Mendes acha que, na área da educação, o Governo faz «propaganda» a mais e toma «medidas» a menos. Não vale a pena perguntar o que fizeram os últimos Governos do PSD nesta área que tenham alterado efectivamente as tendência de longo curso do sistema, em particular no abandono escolar - esse grande e milagroso «conjunto de medidas» que o Governo actual não toma por «falta de coragem».
Resta saber se Marques Mendes sabe que medidas estão em curso. É muito provável que não. Se assim fosse, não procuraria reinventar a roda, afirmando que o que era mesmo necesário para combater o abandono escolar «era introduzir o ensino profissional a sério nas escolas». Ena. A sério????? Isto sim, é que é fazer oposição.
Mesmo com a espalhafatosa propaganda socialista em acção, o dr. Marques Mendes parece não saber o que está a ser feito. A eficácia da propaganda já não é o que era.
Tuesday, September 11, 2007
Sunday, September 9, 2007
A pobreza do - de um certo - criticismo
Porque é que tantas pessoas têm uma tão grande dificuldade em fugir à falácia genética?
Thursday, September 6, 2007
Tuesday, September 4, 2007
Chamar-lhe-ão "meritocracia"?
"A remuneração média de cada membro de conselho de administração das empresas cotadas na bolsa [portuguesa] representa 31,5 mil euros/mês e uma grande parte (..) foram aumentados sessenta vezes mais que um trabalhador comum..."
António Vilarigues, PÚBLICO, 03-09-2007
António Vilarigues, PÚBLICO, 03-09-2007
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À atenção da esquerda: sobre o futuro dos serviços públicos
Smart season

Ainda dizem que o Verão é a silly season. Depois de Luís Filipe Vieira ter tido a coragem de ter mandado Fernando Santos para o sítio de onde nunca devia ter saído - isto é, da Grécia - e ter mandado Camacho regressar, já posso de bom grado sentar-me novamente no terceiro anel do Estádio da Luz.
Rentrée
Este blogue esteve de férias, está na hora de regressar, aqui com Patrick Wolf, o tema é "Overture", ao vivo no Bowery Ballroom, em Nova Iorque, em Maio passado.
Wednesday, July 25, 2007
Policy vs. politics
A imprensa e a oposição à direita - em particular o PSD - vivem cada vez mais da exploração dos casos - uns delicados, outros apenas exagero desmesurado - do que os anglo-saxónicos, sabiamente, afirmam pertencer ao domínio da politics, o da luta política quotidiana, onde vale mais ou menos tudo. A policy, essa, o espaço das orientações e objectivos estratégicos da política, fica sempre para segundo plano. Isto não é necessariamente estranho nem totalmente negativo: o que se faz - e como se faz - no dia-a-dia conta, e a pressão mediática tem destas coisas. Chama-se, afinal de contas, democracia. Mas convém não perder de vista o domínio da policy, sob pena de toda a discussão ficarmos reféns do que, sem termos presente um sentido do objectivo e do significado real da política, pode acabar na mais decadente intriga.
Tuesday, July 24, 2007
Wednesday, July 18, 2007
Os loucos anos 90 III
Os Pulp - also known as the most sociologically-minded-band-of-the-1990's-post-Thatcherist-Britain - com 'Common People', do álbum "Different Class" (1995).
Tuesday, July 17, 2007
Monday, July 16, 2007
Michael Moore e a CNN
O João Caetano chamou-me a atenção - e bem - por e-mail para o "debate" em curso entre a CNN e o Michael Moore no seguimento da reportagem e da entrevista a que aludi aqui. A CNN corrige algumas estatísticas usadas por Moore, e ainda bem.
Simplesmente, a questão central do debate não é essa. A dimensão e o significado político - e se quiserem, ideológico e moral - da discussão não se resolve com hiper-preciosismos estatísticos. Este só é necessário quando as disputas são too close to call. Mas, no caso em questão, saber se os EUA estão uns lugares acima ou abaixo nas tabelas internacionais ou se, em comparação com os outros países, gasta, per capita, umas centenas de dólares a mais ou menos em saúde não é de todo o que está em causa. O excesso de zelo estatístico não resolve o problema gravíssimo de um sistema que, como já havia escrito aqui, é incapaz de proteger uma parte muito significativa da população (46,6 milhões segundo dados de 2005, ou seja, 16% da população - sem dúvida aquela que mais precisaria de cuidados de saúde), já para não falar da cobertura incipiente de muitos. Para além dos 46 milhões acima referidos, estima-se que 37 milhões estão sem seguro largos durante períodos de tempo (dado que os seguros estão tipicamente attached aos empregos, quando se perde o emprego perde-se também o seguro de saúde), já para não falar daqueles que estão underinsured, uma vez que seguro de que dispõem é altamente limitado nos serviços e medicamentos que cobre.
Podíamos estar a discutir se são, de facto, 37 milhões ou 36 milhões, ou se o número mais correcto é 16% ou 15% ou se....O problema está lá e, sobretudo, está a agudizar-se. A CNN pode ter pontual razão estatística; Moore (de quem não sou grande fã) tem razão política - e, se quiserem, moral.
Simplesmente, a questão central do debate não é essa. A dimensão e o significado político - e se quiserem, ideológico e moral - da discussão não se resolve com hiper-preciosismos estatísticos. Este só é necessário quando as disputas são too close to call. Mas, no caso em questão, saber se os EUA estão uns lugares acima ou abaixo nas tabelas internacionais ou se, em comparação com os outros países, gasta, per capita, umas centenas de dólares a mais ou menos em saúde não é de todo o que está em causa. O excesso de zelo estatístico não resolve o problema gravíssimo de um sistema que, como já havia escrito aqui, é incapaz de proteger uma parte muito significativa da população (46,6 milhões segundo dados de 2005, ou seja, 16% da população - sem dúvida aquela que mais precisaria de cuidados de saúde), já para não falar da cobertura incipiente de muitos. Para além dos 46 milhões acima referidos, estima-se que 37 milhões estão sem seguro largos durante períodos de tempo (dado que os seguros estão tipicamente attached aos empregos, quando se perde o emprego perde-se também o seguro de saúde), já para não falar daqueles que estão underinsured, uma vez que seguro de que dispõem é altamente limitado nos serviços e medicamentos que cobre.
Podíamos estar a discutir se são, de facto, 37 milhões ou 36 milhões, ou se o número mais correcto é 16% ou 15% ou se....O problema está lá e, sobretudo, está a agudizar-se. A CNN pode ter pontual razão estatística; Moore (de quem não sou grande fã) tem razão política - e, se quiserem, moral.
Independência já!
O presidente do Governo Regional da Madeira, que suspendeu a aplicação na região da lei que despenaliza o aborto, considerou hoje que é Portugal «quem está na ilegalidade», por aplicar uma lei que não respeita o direito à vida.«Na minha formação política, primeiro estão os grandes princípios da defesa da pessoa humana e só depois está o positivismo da lei escrita», declarou.
Alguém pode explicar ao dr.Alberto João Jardim a diferença entre um Estado de Direito e um Estado "Moral"?
Cada vez que oiço/leio este criatura dizer estas cretinices, eu pergunto onde está o PSD. Aceitar calado - como se João Jardim fosse uma espécie de político freelancer, sem responsabilidades institucionais e partidárias - estas coisas é mais grave do que ter ficado em 3º nas eleições intercalares de Lisboa (coisa que origina logo a marcação de um congresso); é um continuado péssimo serviço que um partido como o PSD presta à qualidade da democracia e das instituições política portuguesas.
Se um dia oferecerem a independência ao dr.Jardim - coisa que pessaolmente não me importava nada - eu queria ver contra quem iria disparar o seu irresponsável discurso "anti-colonial". Politicamente falando, a Madeira continua mais perto da América Latina do que do "Contenente".
Alguém pode explicar ao dr.Alberto João Jardim a diferença entre um Estado de Direito e um Estado "Moral"?
Cada vez que oiço/leio este criatura dizer estas cretinices, eu pergunto onde está o PSD. Aceitar calado - como se João Jardim fosse uma espécie de político freelancer, sem responsabilidades institucionais e partidárias - estas coisas é mais grave do que ter ficado em 3º nas eleições intercalares de Lisboa (coisa que origina logo a marcação de um congresso); é um continuado péssimo serviço que um partido como o PSD presta à qualidade da democracia e das instituições política portuguesas.
Se um dia oferecerem a independência ao dr.Jardim - coisa que pessaolmente não me importava nada - eu queria ver contra quem iria disparar o seu irresponsável discurso "anti-colonial". Politicamente falando, a Madeira continua mais perto da América Latina do que do "Contenente".
Lisboa
A esquerda, no grande arco que vai do PCTP/MRPP ao PS, obteve cerca de 57% dos votos nas eleições intercalares de ontem em Lisboa. Continua, portanto, a ser uma cidade que vota predominantemente à esquerda. E, porém, se o PSD não estivesse partido ao meio, dividido entre as candidaturas de Carmona Rodrigues e Fernando Negrão, talvez tivesse ganho (os seus votos somam quase 32,5% dos votos, mais 3% do que a candidatura de António Costa). O que à direita é uma excepção é à esquerda a regra. Podíamos ter pago caro - se é que não o vamos pagar na governação de uma câmara dificilmente governável, em função dos mandatos atribuídos. Vamos ver se alguns conseguem ir para além da política do "bate pé".
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Love is a fire
«Love is a fire
It burns everyone
It desfigures everyone
It is the world's excuse
for being ugly».
Leonard Cohen,
in "Poemas e Canções". Vol.I (original de 1993; versão portuguesa editada pela Relógio d'Água, com tradução de Margarida Vale do Gato e Manuel Alberto)
It burns everyone
It desfigures everyone
It is the world's excuse
for being ugly».
Leonard Cohen,
in "Poemas e Canções". Vol.I (original de 1993; versão portuguesa editada pela Relógio d'Água, com tradução de Margarida Vale do Gato e Manuel Alberto)
Thursday, July 12, 2007
"Sicko", Michael Moore, a CNN e o papão da "socialized medicine"
Vale mesmo a pena perder aí um quarto de hora a ver estas peças televisivas que o Daniel Oliveira colocou aqui, bem como o seu comentário. Aquela peça da CNN sobre o novo filme de Michael Moore, "Sicko", é má demais. Independentemente da qualidade do filme de Moore (mas a realidade que retrata, relativa ao sistema de saúde norte-americano, é razoavelmente consensual), nada justifica semelhante jornalismo rasteiro. Se estes são os "padrões de jornalismo de qualidade mundial" da CNN, então estamos conversados.
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