Friday, November 30, 2007
Life chance politics
...ou porque é que a luta contra a pobreza infantil deve ser a primeira prioridade política de luta contra as desigualdades. Quanto mais tarde agirmos sobre elas, mais ineficiente e mais caro será. A pobreza infantil determina em larguíssima medida as oportunidades de vida dos futuros adultos, e isto é resultado de algo profundamente arbitrário: o resultado de se nascer numa família pobre e não numa rica.Até a direita não-libertária (i.e., aquela que acha que existe mundo para além dos livros de filosofia política que reconfortam a sua predisposição para elevar o egoísmo e a indiferença a nobres ideais morais) concordaria que as crianças não devem ser injustamente prejudicadas por algo - a condição económica da sua família - que não é da sua responsabilidade.
A Fabian Society propõe a ideia/conceito/slogan de life chances como o leitmotiv polític central do terceiro mandato do New Labour, que se propõe acabar com a pobreza infantil no Reino Unido até 2020. Para quem está na cauda da tabela europeia, só suplantada pelos países mediterrânicos, este é uma meta complicada. Mas é provavelmente o melhor investimento que o país pode fazer. E a mesma mensagem serve, ceteris paribus, para Portugal.
P.S. - Uma boa parte deste investimento faz-se através da educação. Por isso é que em vez de, na sua luta contra os NEET (jovens "not in education, employment or training"), em vez de os ameaçar com a ida ao tribunal e respectiva multa (ver post anterior), os jovens deviam ser convencidos e incentivos e não compelidos, sob ameaça, a ficar na escola. Nem que o governo lhes tenha, para isso, que pagar (juntamente com as empresas, por exemplo, se se tratar de estágios). Ninguém disse que o investimento saia barato.
Um caminho perigoso
Queremos mesmo começar a multar os alunos que faltem às aulas durante a escolaridade obrigatória? É nestas coisas que provavelmente a pior face do New Labour, a punitiva, vem ao de cima. Por cá, estas medidas seriam - se o fossem, a este nível - propostas pelo CDS-PP.
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Uma questão importante...
...neste post do Zèd. Depois talvez escreva mais longamente sobre isto aqui, a partir do comentário que lá fiz.
Thursday, November 29, 2007
Muito exigente deve ser o nosso ensino, de facto
Lido num take da 'Lusa':
Portugal único país desenvolvido com taxa de repetentes a atingir 10 por cento nos primeiros ciclos - UNESCO
Portugal é o único país desenvolvido onde a taxa de alunos repetentes no primeiro e segundo ciclos atinge os 10 por cento, de acordo com dados da UNESCO divulgados hoje.
Segundo o relatório anual "Educação para todos" da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), um em cada dez alunos portugueses (10,2 por cento) a frequentar a antiga primária e o 2º ciclo chumbaram e estão a repetir o ano de escolaridade.
Em Espanha e na Alemanha estes valores situam-se nos 2,3 e 1,4 por cento, respectivamente, enquanto em países como Finlândia, Grécia, Irlanda e Itália a taxa não atinge sequer um por cento.
Isto é o resultado do que se chama cultura da retenção.
Portugal único país desenvolvido com taxa de repetentes a atingir 10 por cento nos primeiros ciclos - UNESCO
Portugal é o único país desenvolvido onde a taxa de alunos repetentes no primeiro e segundo ciclos atinge os 10 por cento, de acordo com dados da UNESCO divulgados hoje.
Segundo o relatório anual "Educação para todos" da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), um em cada dez alunos portugueses (10,2 por cento) a frequentar a antiga primária e o 2º ciclo chumbaram e estão a repetir o ano de escolaridade.
Em Espanha e na Alemanha estes valores situam-se nos 2,3 e 1,4 por cento, respectivamente, enquanto em países como Finlândia, Grécia, Irlanda e Itália a taxa não atinge sequer um por cento.
Isto é o resultado do que se chama cultura da retenção.
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Calexico / Iron & Wine
O tema chama-se 'He Lays In The Reins', faixa que dá ao título ao EP de 2005. Para saber mais, basta consultar a página dos 'Iron and Wine' aqui.
Tolerância dos cidadãos às desigualdades

Os dados já são antigos, na maioria com cerca de 20 anos, oriundos do International Social Survey Program* (mas as atitudes e opiniões das pessoas não mudam rapidamente nestas questões, e o grau de consistência ao longo de tempo é assinálavel), mas mostram a diferente tolerância das populações de 8 países em relação às desigualdades salariais (a partir da resposta à pergunta «quanto acha é que o ---- devia ganhar?»). A base 100 corresponde ao salário de um operário fabril pouco qualificado. Vemos como em países como a Noruega ou a Suécia a diferença máxima aceitável entre o operário e um gestor de uma grande empresa é inferior a 2 vezes e meia, no EUA as pessoas aceitam que este último ganhe mais de 11 vezes o salário do operário! Dos países europeus, é a Alemanha que mais se aproxima - apesar da enorme distância - da tolerância dos norte-americanos às desigualdades.
* Quadro retirado de Stefan Svallfors, "Worlds of Welfare and Attitudes to Redistribution: A Comparison of Eight Western Nations", in "European Sociological Review", 13 (3), 1997, pp.283-304.
As baixas desigualdades salariais como um bem público
Alemanha
Altos salários de gestores podem pôr em causa paz social - Presidente
2007-11-28, 23h44
Berlim, 28 Nov (Lusa) - O presidente alemão, Horst Koehler, acusou hoje os gestores das grandes empresas do país de estarem a pôr em causa a paz social, ao fazerem com que os seus salários aumentem acima da média dos restantes trabalhadores.
"Existe um sentimento compreensível no seio da sociedade de que qualquer coisa não vai bem quando o rendimento de uns conhece fortes aumentos, enquanto que o dos outros estagna", afirma o chefe de Estado alemão em entrevista a ser publicada quinta-feira no influente diário económico Handelsbatt.
O resultado desta prática, afirma o ex-director do Fundo Monetário Internacional, é "uma alienação crescente entre empresários e sociedade".
Koehler apela a que os accionistas e conselhos de administração assegurem que os gestores "não percam a noção da proporção" nas suas "pretensões salariais".
A Alemanha, afirma, precisa de que os dirigentes empresariais "adoptem uma cultura de moderação e dêem o exemplo" aos restantes quadrantes sociais.
Dados recentemente publicados pelo Ministério do Trabalho alemão indicam que, entre 2000 e 2006, os resultados das empresas aumentaram 42 por cento, enquanto que os salários cresceram apenas 4,5 por cento.
Altos salários de gestores podem pôr em causa paz social - Presidente
2007-11-28, 23h44
Berlim, 28 Nov (Lusa) - O presidente alemão, Horst Koehler, acusou hoje os gestores das grandes empresas do país de estarem a pôr em causa a paz social, ao fazerem com que os seus salários aumentem acima da média dos restantes trabalhadores.
"Existe um sentimento compreensível no seio da sociedade de que qualquer coisa não vai bem quando o rendimento de uns conhece fortes aumentos, enquanto que o dos outros estagna", afirma o chefe de Estado alemão em entrevista a ser publicada quinta-feira no influente diário económico Handelsbatt.
O resultado desta prática, afirma o ex-director do Fundo Monetário Internacional, é "uma alienação crescente entre empresários e sociedade".
Koehler apela a que os accionistas e conselhos de administração assegurem que os gestores "não percam a noção da proporção" nas suas "pretensões salariais".
A Alemanha, afirma, precisa de que os dirigentes empresariais "adoptem uma cultura de moderação e dêem o exemplo" aos restantes quadrantes sociais.
Dados recentemente publicados pelo Ministério do Trabalho alemão indicam que, entre 2000 e 2006, os resultados das empresas aumentaram 42 por cento, enquanto que os salários cresceram apenas 4,5 por cento.
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Wednesday, November 28, 2007
E esta?
Argentina
Empresa inaugura fábrica em prisão
2007-11-28, 00h54
Buenos Aires, 28 Nov (Lusa) - Uma empresa argentina inaugurou uma fábrica de processamento de pescado dentro de uma prisão na Argentina e que terá 25 presos como operários, que vão receber salário e todos os benefícios da segurança social.
O projecto é pioneiro no mundo e foi desenvolvido na unidade penal de Batán, próxima da cidade de Mar del Plata, a 420 quilómetros da capital argentina.
A fábrica, que ocupa cerca de 200 metros quadrados dentro da prisão e dá trabalho remunerado, com direito à segurança social, a 25 presos, está, no entanto, projectada para um total de 300, explicou o director do Serviço Penitenciário da região de Buenos Aires, Fernando Díaz.
A empresa Infood S.A., que dinamiza o projecto, é local e indicou que a sua iniciativa tem como objectivo a reinserção dos presos na sociedade e assinalou que a fábrica não funcionará como uma cooperativa mas sim como uma pequena e média empresa.
A construção do espaço também esteve a cargo dos reclusos que receberam pelo trabalho e levou ao investimento por parte da empresa de cerca de cem mil euros.
A selecção dos presos teve como critérios, numa primeira fase, a conduta e, numa segunda, os conhecimentos dos reclusos em relação aos trabalhos que iam desempenhar na fábrica.
Empresa inaugura fábrica em prisão
2007-11-28, 00h54
Buenos Aires, 28 Nov (Lusa) - Uma empresa argentina inaugurou uma fábrica de processamento de pescado dentro de uma prisão na Argentina e que terá 25 presos como operários, que vão receber salário e todos os benefícios da segurança social.
O projecto é pioneiro no mundo e foi desenvolvido na unidade penal de Batán, próxima da cidade de Mar del Plata, a 420 quilómetros da capital argentina.
A fábrica, que ocupa cerca de 200 metros quadrados dentro da prisão e dá trabalho remunerado, com direito à segurança social, a 25 presos, está, no entanto, projectada para um total de 300, explicou o director do Serviço Penitenciário da região de Buenos Aires, Fernando Díaz.
A empresa Infood S.A., que dinamiza o projecto, é local e indicou que a sua iniciativa tem como objectivo a reinserção dos presos na sociedade e assinalou que a fábrica não funcionará como uma cooperativa mas sim como uma pequena e média empresa.
A construção do espaço também esteve a cargo dos reclusos que receberam pelo trabalho e levou ao investimento por parte da empresa de cerca de cem mil euros.
A selecção dos presos teve como critérios, numa primeira fase, a conduta e, numa segunda, os conhecimentos dos reclusos em relação aos trabalhos que iam desempenhar na fábrica.
Tuesday, November 27, 2007
O regresso dos The Devastations
É o regresso da banda australiana, com o 3º trabalho, 'Yes, U', editado em Setembro passado (que já passou por Lisboa, em Fevereiro passado, no Santiago Alquimista). Aqui fica uma versão ao vivo de um dos temas, 'Rosa'.
Entretanto, ficam na lista de músicas aqui em baixo as faixas do primeiro álbum da banda, intitulado "The Devastations" (2004).
Entretanto, ficam na lista de músicas aqui em baixo as faixas do primeiro álbum da banda, intitulado "The Devastations" (2004).
Monday, November 26, 2007
Quadro Europeu de Qualificações: uma revolução silenciosa?
Hoje foi apresentado em Lisboa o Quadro Europeu de Qualificações [QEQ] (texto aprovado pelo Parlamento Europeu aqui). Parece mais um documento chato para entreter os burocratas de Bruxelas, mas não é: é algo que pode, a prazo, causar grandes mudanças na forma como as pessoas organizam a sua vida na Europa. Depois, com mais tempo, escrevo mais sobre isto, mas o QEQ trata-se basicamente de uma grelha de tradução das qualificações obtidas por um cidadão num qualquer país da UE, que sabe que a sua qualificação será reconhecida como válida e como tendo o mesmo valor que tem no país de origem. Claro, Bolonha já fazia isso para o ensino superior, mas o QEQ alarga isto a todas as qualificações de todos os níveis de ensino - e mesmo as obtidas pelo reconhecimento de competências obtidas por via não-formal ou informal.
Foram criados oito níveis de qualificações que pressupõem uma correspondência a um conjunto de 'conhecimentos', 'aptidões' e 'competências' (ver nos 3 quadros).
A prazo, isto pode revolucionar o mercado de trabalho. Ao contrário do que acontece nos EUA (e esta é uma vantagem comparativa pouco lembrada, mas que joga de facto a favor do caso americano ao nível da mobilidade e competitividade interna), onde as barreiras linguisticas e culturais são muito reduzidas e onde a mobilidade profissional das pessoas é ampla, na Europa a situação é muito diferente, e a maioria das pessoas não tem qualquer oportunidade de procurar emprego longe do sítio onde vivei ou obteve alguma qualificação/experiência profissional. Quando muito, a maioria das mudanças dão-se no interior do mesmo país. A criação do QEQ procura mudar um pouco isto.
Do ponto de vista colectivo (e económico), a existência de barreiras à mobilidade do género que existe na Europa não é conducente a uma maior eficácia no uso dos recursos humanos; esta unificação do mercado de qualificações aumenta em teoria, por isso, a competitividade e a qualidade dos produtos e serviços.
Do ponto de vista individual, abre oportunidades a quem queira aventurar-se num outro país sem ter que sofrer uma imediata discriminação ao nív
el das qualificações de que é portador. Assim, por exemplo, uma pessoa com uma qualificaçao do nível 5 em Portugal é uma pessoa com qualificação do nível 5 na Áustria - se Portugal e Áustria alinharem o seu quadro de qualificações nacional pelo europeu (o que não completamente garantido, dado que o QEQ é de adopção voluntária; mas Bolonha também era e generalizou-se mais ou menos rapidamente; e Portugal é dos países que mais tem feito nos últimos tempos por avançar neste processo, e o Quadro Nacional de Qualificações, já aprovado em Conselho de Ministros, está em discussão pública). Isto, logicamente, reduz as discriminações e, simetricamente, as situações de protecção/privilégio (altamente injustos, porque determinados pelo acaso de uma pessoa nascer no país Y ou Z).
Há outras dimensões muito importantes de todo este processo, que tem que ser compreendido numa lógica de aprendizagem ao longo da vida - devidamente consagrada no 'Programa para a Aprendizagem ao Longo da Vida' (2007-2013) lançado pela presidência alemã no primeiro semestre de 2007, e que corresponde a um real descentrar da escola como único dispositivo institucional onde é possível alguém 'aprender' e 'qualificar-se'. A este fim de um certo 'escolocentrismo' corresponde, em compensação, um ênfase muito maior no que as pessoas sabem fazer ou conhecem (nos resultados), independentemente de onde aprenderam/fizeram o curso (a 'fama' das instituições).
Depois volto a esta temática.
Mas isto são boas notícias. Estão lançadas as bases para que, no futuro, se avaliem progressivamente as pessoas, os seus percursos e as suas capacidades menos em função de características particularistas - que tantas vezes alimentam perversos privilégios de status -, e mais pelo que são capazes e pelo que é universamente reconhecido: um passo em frente naquilo a que os sociólogos chamam 'modernidade'.
Foram criados oito níveis de qualificações que pressupõem uma correspondência a um conjunto de 'conhecimentos', 'aptidões' e 'competências' (ver nos 3 quadros).A prazo, isto pode revolucionar o mercado de trabalho. Ao contrário do que acontece nos EUA (e esta é uma vantagem comparativa pouco lembrada, mas que joga de facto a favor do caso americano ao nível da mobilidade e competitividade interna), onde as barreiras linguisticas e culturais são muito reduzidas e onde a mobilidade profissional das pessoas é ampla, na Europa a situação é muito diferente, e a maioria das pessoas não tem qualquer oportunidade de procurar emprego longe do sítio onde vivei ou obteve alguma qualificação/experiência profissional. Quando muito, a maioria das mudanças dão-se no interior do mesmo país. A criação do QEQ procura mudar um pouco isto.
Do ponto de vista colectivo (e económico), a existência de barreiras à mobilidade do género que existe na Europa não é conducente a uma maior eficácia no uso dos recursos humanos; esta unificação do mercado de qualificações aumenta em teoria, por isso, a competitividade e a qualidade dos produtos e serviços.Do ponto de vista individual, abre oportunidades a quem queira aventurar-se num outro país sem ter que sofrer uma imediata discriminação ao nív
el das qualificações de que é portador. Assim, por exemplo, uma pessoa com uma qualificaçao do nível 5 em Portugal é uma pessoa com qualificação do nível 5 na Áustria - se Portugal e Áustria alinharem o seu quadro de qualificações nacional pelo europeu (o que não completamente garantido, dado que o QEQ é de adopção voluntária; mas Bolonha também era e generalizou-se mais ou menos rapidamente; e Portugal é dos países que mais tem feito nos últimos tempos por avançar neste processo, e o Quadro Nacional de Qualificações, já aprovado em Conselho de Ministros, está em discussão pública). Isto, logicamente, reduz as discriminações e, simetricamente, as situações de protecção/privilégio (altamente injustos, porque determinados pelo acaso de uma pessoa nascer no país Y ou Z).Há outras dimensões muito importantes de todo este processo, que tem que ser compreendido numa lógica de aprendizagem ao longo da vida - devidamente consagrada no 'Programa para a Aprendizagem ao Longo da Vida' (2007-2013) lançado pela presidência alemã no primeiro semestre de 2007, e que corresponde a um real descentrar da escola como único dispositivo institucional onde é possível alguém 'aprender' e 'qualificar-se'. A este fim de um certo 'escolocentrismo' corresponde, em compensação, um ênfase muito maior no que as pessoas sabem fazer ou conhecem (nos resultados), independentemente de onde aprenderam/fizeram o curso (a 'fama' das instituições).
Depois volto a esta temática.
Mas isto são boas notícias. Estão lançadas as bases para que, no futuro, se avaliem progressivamente as pessoas, os seus percursos e as suas capacidades menos em função de características particularistas - que tantas vezes alimentam perversos privilégios de status -, e mais pelo que são capazes e pelo que é universamente reconhecido: um passo em frente naquilo a que os sociólogos chamam 'modernidade'.
Top 5
Ora então para dar seguimento à cadeia (a ordem dos filmes é arbitrária):
Eyes Wide Shut (1999), de Stanley Kubrick
Dogville (2003), de Lars von Trier
A Vida dos Outros (2006), de Florian Henckel von Donnersmarck
Pallombela Rossa (1989), de Nanni Moretti
Good Bye Lenin (2003), Wolfgang Becker
Tirando o filme de Kubrick, chego à conclusão agora que são filmes bastante políticos. Eyes Wide Shut é uma história fantástica sobre a traição a sobre duplicidade dos desejos e das vidas.
Com pena minha, In the Mood for Love (2000), de Wong Kar Way, fica de fora, mas não há lugar para todos. E Woody Allen e Clint Eastwood e Pedro Almodovar que me desculpem. And so on.
Passo a cadeia aos seguintes blogues:
A Vez do Peão
Timshell
Avesso do Avesso
País do Burro
2 + 2 = 5
Eyes Wide Shut (1999), de Stanley Kubrick
Dogville (2003), de Lars von Trier
A Vida dos Outros (2006), de Florian Henckel von Donnersmarck
Pallombela Rossa (1989), de Nanni Moretti
Good Bye Lenin (2003), Wolfgang Becker
Tirando o filme de Kubrick, chego à conclusão agora que são filmes bastante políticos. Eyes Wide Shut é uma história fantástica sobre a traição a sobre duplicidade dos desejos e das vidas.
Com pena minha, In the Mood for Love (2000), de Wong Kar Way, fica de fora, mas não há lugar para todos. E Woody Allen e Clint Eastwood e Pedro Almodovar que me desculpem. And so on.
Passo a cadeia aos seguintes blogues:
A Vez do Peão
Timshell
Avesso do Avesso
País do Burro
2 + 2 = 5
Yaach!!
Bem sei que tenho um simpático repto do Mapa do Cais para nomear 5 filmes, imagino que daqueles que levaríamos para uma ilha deserta enquanto o dilúvio final não chega. Mas isso fica para amanhã. Agora é só mesmo para dizer que, depois de ver o bem Lynchiano "Eraserhead" - que estreou faz agora 30 anos e está em exibição no Nimas -, o comentário que assim de repente apetece fazer é que aquela narrativa delirante atinge seriamente qualquer desejo que possa subsistir no espectador de vir a ser pai/mãe.
Depois queixam-se das baixas taxas de fertilidade desta geração.
Depois queixam-se das baixas taxas de fertilidade desta geração.
Perplexidade sociológica de domingo à noite
Será que o movimento europeu de reconhecimento e validação de aprendizagens não-formais e informais, institucionalizado pelo Quadro Europeu das Qualificações - apresentado hoje em Lisboa -, vai acabar com a amplitude empírica do conceito de "conhecimento tácito"?
Wednesday, November 21, 2007
Um par de CDs
Da superioridade moral do socialismo
Ainda não completamente refeito do impacto desse exquisite documentário que é "Sicko", de Michael Moore - e que merece uma resenha mais alongada mais tarde -, para já só me apetece dizer isto: perante a propaganda produzida nos EUA contra a ideia de um sistema público e universal de saúde (sobre o que isso implicaria em termos da "estatização da medicina", etc.), entre as muitas inverdades e exageros que se dizem/escrevem, há uma coisa que é verdade, sim: um sistema público e universal de saúde é uma construção segundo princípios socialistas, onde vigora o princípio da igualdade independentemente dos rendimentos, qualificações, estatuto social, etc., e onde cada um paga em função das suas possibilidades e recebe cuidados em função das suas necessidades. Perante as situações hediondas que Moore mostra no filme (atenção: em todos os sistemas há situações hediondas - mas há uma enormíssima diferença entre a situação hedionda que viola profundamente os princípios do sistema (e que por isso deve ser corrigida), e a situação hedionda que decorre natural e inevitavelmente desses mesmos princípios), apetece mesmo dizer: não apenas um sistema público e universal concretiza princípios socialistas, como serve de clara demonstração do que noutros tempos se chamava, pomposamente, a "superioridade moral do socialismo". Já não há assim tantas instituições que consigam mostrar isto, mas esta é uma delas.
Tuesday, November 20, 2007
Sobre a política da retenção
Talvez muita gente fique escandalizada por causa disto. Mas convém lembrar que em Portugal é, se os dados comparativos servem para aprender alguma coisa, o país onde mais se usa o instrumento da retenção - que sabemos ser um primeiro passo para o abandono escolar (ver figura, primeira coluna "Taux de retard aux 14 ans", que mede precisamente a percentagem de alunos que nessa idade já repetiram pelo menos um ano - Portugal tem o valor mais elevado dos países europeus em comparação; dados provenientes rede Eurydice, 2003, reproduzidos em Marcel Crahay, Peut-on lutter contre l'échec scolarie?, Bruxelas, De Boeck & Larcier, 3ªedição, 2007, p.45).

Talvez muitos protestem contra a ideia "escandalosa" de promoção automática, mas a verdade é que a promoção automática está institutucionalizada em vários países europeus, em particular nos nórdicos, onde praticamente ninguém fica pelo caminho até ao fim da escolaridade obrigatória (9, 10 ou 11 anos, consoante os países). Estes sistemas não são facilitistas; os seus alunos estão geralmente muito bem classificados nos testes internacionais do PISA. A diferença é que estes sistemas estão organizados de forma a fazer tudo para manter os alunos na escola e recorrer à retenção só em casos excepcionais.

Talvez muitos protestem contra a ideia "escandalosa" de promoção automática, mas a verdade é que a promoção automática está institutucionalizada em vários países europeus, em particular nos nórdicos, onde praticamente ninguém fica pelo caminho até ao fim da escolaridade obrigatória (9, 10 ou 11 anos, consoante os países). Estes sistemas não são facilitistas; os seus alunos estão geralmente muito bem classificados nos testes internacionais do PISA. A diferença é que estes sistemas estão organizados de forma a fazer tudo para manter os alunos na escola e recorrer à retenção só em casos excepcionais.
Missão impossível
Carlos Oliveira: Mas e tu? Vês-te do lado da teoria feliz ou do lado moderno, com os desconcertados?
Peter Sloterdijk: Talvez queira o impossível, a modernidade e a felicidade ao mesmo tempo.
in Peter Sloterdijk, Ensaio sobre a Intoxicação Voluntária. Diálogos com Carlos Oliveira, Lisboa, Fenda (2001[original alemão de 1999, tradução de Cristina Peres]), p.39
Peter Sloterdijk: Talvez queira o impossível, a modernidade e a felicidade ao mesmo tempo.
in Peter Sloterdijk, Ensaio sobre a Intoxicação Voluntária. Diálogos com Carlos Oliveira, Lisboa, Fenda (2001[original alemão de 1999, tradução de Cristina Peres]), p.39
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Monday, November 19, 2007
Blue Monday
Os números de INE hoje publicitados pelo Diário Económico não são nada encorajadores, onde se lê que, de 2005 para cá, «houve uma destruição de 167 mil postos de trabalho com maiores qualificações – dirigentes e quadros superiores, profissionais intelectuais e científicos e técnicos de nível intermédio. Segundo o INE, eram 1,372 milhões de trabalhadores no primeiro trimestre de 2005, mas recuaram para 1,205 milhões no terceiro trimestre deste ano. Uma quebra de 12%, que fez diminuir este tipo de empregos de 27% para 23% do total».
Para quem pretende entrar de vez numa economia pós-industrial assente na inovação tecnológica e organizacional, e no uso intensivo de recursos humanos qualificados, este não é melhor caminho. Vivemos provavelmente os resquícios de uma época em que emprego qualificado estava excessivamente dependente da mão protectora do Estado, que, por questões orçamentais, não pode continuar a agir como no passado. A mudança deste padrão leva tempo, e depende de um ajuste particularmente complicado entre oferta e procura de emprego qualificado – sabendo-se que o investimento do sector privado em áreas onde a inovação tecnológica e/ou organizacional responde a níveis de exigência e requer níveis de enlightenment por parte dos investidores e/ou empregadores que são tudo menos naturais. É que é muito mais difícil montar uma empresa de biomateriais do que um café. A formação em gestão e o apoio do Estado através de programas especiais como objectivo de limitar os poderosos efeitos da incerteza de investimento nestas áreas são essenciais, mas os resultados são aqui tudo menos imediatos.
É importante também saber separar os fenómenos de conjuntura dos mais estruturais. Por exemplo, nos primeiros, se o desemprego entre licenciados subiu, é importante saber há quanto tempo estas pessoas estão desempregadas. Estar no desemprego ao fim de uns meses quando se procura o primeiro emprego é relativamente comum; e convém não menosprezar o efeito Bolonha, que fez com que mais pessoas completassem num curto espaço de tempo os seus cursos mais depressa do que seria previsível no início. No que toca aos segundos, é importante saber em que áreas é que o desemprego (ou a dificuldade de encontrar um primeiro emprego) é mais forte. É bem possível que o país não precise, nem vá precisar no futuro, de tantas pessoas formada em humanidades ou nas áreas eminentemente ligadas ao ensino; o upgrade tecno-económico requer indivíduos com qualificações na área das engenharias e das ciências. Falar de licenciados em abstracto só obscurece o fulcro do problema.
Para quem pretende entrar de vez numa economia pós-industrial assente na inovação tecnológica e organizacional, e no uso intensivo de recursos humanos qualificados, este não é melhor caminho. Vivemos provavelmente os resquícios de uma época em que emprego qualificado estava excessivamente dependente da mão protectora do Estado, que, por questões orçamentais, não pode continuar a agir como no passado. A mudança deste padrão leva tempo, e depende de um ajuste particularmente complicado entre oferta e procura de emprego qualificado – sabendo-se que o investimento do sector privado em áreas onde a inovação tecnológica e/ou organizacional responde a níveis de exigência e requer níveis de enlightenment por parte dos investidores e/ou empregadores que são tudo menos naturais. É que é muito mais difícil montar uma empresa de biomateriais do que um café. A formação em gestão e o apoio do Estado através de programas especiais como objectivo de limitar os poderosos efeitos da incerteza de investimento nestas áreas são essenciais, mas os resultados são aqui tudo menos imediatos.
É importante também saber separar os fenómenos de conjuntura dos mais estruturais. Por exemplo, nos primeiros, se o desemprego entre licenciados subiu, é importante saber há quanto tempo estas pessoas estão desempregadas. Estar no desemprego ao fim de uns meses quando se procura o primeiro emprego é relativamente comum; e convém não menosprezar o efeito Bolonha, que fez com que mais pessoas completassem num curto espaço de tempo os seus cursos mais depressa do que seria previsível no início. No que toca aos segundos, é importante saber em que áreas é que o desemprego (ou a dificuldade de encontrar um primeiro emprego) é mais forte. É bem possível que o país não precise, nem vá precisar no futuro, de tantas pessoas formada em humanidades ou nas áreas eminentemente ligadas ao ensino; o upgrade tecno-económico requer indivíduos com qualificações na área das engenharias e das ciências. Falar de licenciados em abstracto só obscurece o fulcro do problema.
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