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Friday, February 1, 2008

Bye bye Obama


Em jeito de complemento do P.S. do post anterior, esta imagem retirada do blog de Paul Krugman.
Os Republicanos terão no futuro, se Clinton for a candidata Democrata, oportunidade para agradecer intensamente a mensagem do marketing político da campanha de Obama.

The Edwards effect

Pelo incontornável Paul Krugman.

P.S. - Uma das questões onde Clinton e Obama divergem é nos planos para a reforma da saúde. Dada a importância, mais do que simbólica, verdadeiramente crucial para a vida de dezenas de milhões de americanos, desta questão; e dada a incapacidade de Obama perceber ou valorizar as vantagens de um sistema universal e obrigatório, este é provavelmente o ponto que realmente separa os candidatos. E não é possível apoiar um candidato que não defende um sistema de saúde universal e obrigatório - por muitas dificuldades de implementação que o sistema proposta por Hillary Clinton venha a encontrar.

Sunday, December 16, 2007

A ler



Este excelente artigo de David U. Himmelstein e Steffie Woolhandler, professores de medicina em Harvard, onde apresentam uma curta história das várias tentativas - falhadas - de criar um sistema de seguro obrigatório a nível estadual nos EUA (uma ideia defendida há mais de 30 anos por Nixon), na linha do que propõem os mais importantes candidatos democratas. O seu argumento é de que este modelo «is economic nonsense. The reliance on private insurers makes universal coverage unaffordable». A alternativa, claro, seria um sistema universal público como existe, por exemplo, ali ao lado, no Canadá (e em vários países europeus, naturalmente).

Wednesday, November 21, 2007

Da superioridade moral do socialismo


Ainda não completamente refeito do impacto desse exquisite documentário que é "Sicko", de Michael Moore - e que merece uma resenha mais alongada mais tarde -, para já só me apetece dizer isto: perante a propaganda produzida nos EUA contra a ideia de um sistema público e universal de saúde (sobre o que isso implicaria em termos da "estatização da medicina", etc.), entre as muitas inverdades e exageros que se dizem/escrevem, há uma coisa que é verdade, sim: um sistema público e universal de saúde é uma construção segundo princípios socialistas, onde vigora o princípio da igualdade independentemente dos rendimentos, qualificações, estatuto social, etc., e onde cada um paga em função das suas possibilidades e recebe cuidados em função das suas necessidades. Perante as situações hediondas que Moore mostra no filme (atenção: em todos os sistemas há situações hediondas - mas há uma enormíssima diferença entre a situação hedionda que viola profundamente os princípios do sistema (e que por isso deve ser corrigida), e a situação hedionda que decorre natural e inevitavelmente desses mesmos princípios), apetece mesmo dizer: não apenas um sistema público e universal concretiza princípios socialistas, como serve de clara demonstração do que noutros tempos se chamava, pomposamente, a "superioridade moral do socialismo". Já não há assim tantas instituições que consigam mostrar isto, mas esta é uma delas.

Monday, July 16, 2007

Michael Moore e a CNN

O João Caetano chamou-me a atenção - e bem - por e-mail para o "debate" em curso entre a CNN e o Michael Moore no seguimento da reportagem e da entrevista a que aludi aqui. A CNN corrige algumas estatísticas usadas por Moore, e ainda bem.
Simplesmente, a questão central do debate não é essa. A dimensão e o significado político - e se quiserem, ideológico e moral - da discussão não se resolve com hiper-preciosismos estatísticos. Este só é necessário quando as disputas são too close to call. Mas, no caso em questão, saber se os EUA estão uns lugares acima ou abaixo nas tabelas internacionais ou se, em comparação com os outros países, gasta, per capita, umas centenas de dólares a mais ou menos em saúde não é de todo o que está em causa. O excesso de zelo estatístico não resolve o problema gravíssimo de um sistema que, como já havia escrito aqui, é incapaz de proteger uma parte muito significativa da população (46,6 milhões segundo dados de 2005, ou seja, 16% da população - sem dúvida aquela que mais precisaria de cuidados de saúde), já para não falar da cobertura incipiente de muitos. Para além dos 46 milhões acima referidos, estima-se que 37 milhões estão sem seguro largos durante períodos de tempo (dado que os seguros estão tipicamente attached aos empregos, quando se perde o emprego perde-se também o seguro de saúde), já para não falar daqueles que estão underinsured, uma vez que seguro de que dispõem é altamente limitado nos serviços e medicamentos que cobre.
Podíamos estar a discutir se são, de facto, 37 milhões ou 36 milhões, ou se o número mais correcto é 16% ou 15% ou se....O problema está lá e, sobretudo, está a agudizar-se. A CNN pode ter pontual razão estatística; Moore (de quem não sou grande fã) tem razão política - e, se quiserem, moral.

Thursday, July 12, 2007

"Sicko", Michael Moore, a CNN e o papão da "socialized medicine"

Vale mesmo a pena perder aí um quarto de hora a ver estas peças televisivas que o Daniel Oliveira colocou aqui, bem como o seu comentário. Aquela peça da CNN sobre o novo filme de Michael Moore, "Sicko", é má demais. Independentemente da qualidade do filme de Moore (mas a realidade que retrata, relativa ao sistema de saúde norte-americano, é razoavelmente consensual), nada justifica semelhante jornalismo rasteiro. Se estes são os "padrões de jornalismo de qualidade mundial" da CNN, então estamos conversados.

Wednesday, May 16, 2007

Por falar nisso...

Sistema de saúde norte-americano é o pior de seis países industrializados.

Ora, já tínhamos abordado isto há uns dias, mas é bom saber que vem nos jornais. Ainda por cima, em jornais insuspeitos.

Sunday, May 13, 2007

Mais desenvolvimento, maior intolerância às desigualdades na saúde?


Foi por acaso, a partir deste post do João Caetano, que descobri esta discussão muito interessante sobre o futuro do sistema americano de saúde na National Public Radio, envolvendo empresários, médicos, académicos, etc. Não é segredo que já há algumas décadas que os norte-americanos tentam encontrar uma solução para um sistema cada vez mais caro (já ultrapassou os 16% do PIB) (e incapaz de proteger uma parte muito significativa da população (46,6 milhões segundo dados de 2005, ou seja, 16% da população - sem dúvida aquela que mais precisaria de cuidados de saúde), já para não falar da cobertura incipiente de muitos. Para além dos 46 milhões acima referidos, estima-se que 37 milhões estão sem seguro largos durante períodos de tempo (dado que os seguros estão tipicamente attached aos empregos, quando se perde o emprego perde-se também o seguro de saúde), já para não falar daqueles que estão underinsured, uma vez que seguro de que dispõem é altamente limitado nos serviços e medicamentos que cobre.
Uma discussão academicamente séria e politicamente desapaixonada pode ser encontrada no último livro do sociólogo David Mechanic, The Truth About Health Care: Why Reform Is Not Working in America (Rutgers University Press, 2006, 228p.), que trabalha há mais de 30 anos estas questões nos EUA.
O imbróglio em que os EUA se meteram por achar que a saúde é um bem - e, por consequência, os seus cuidados uma mercadoria - como qualquer outro(a) está à vista de todos, mesmo dos empresários que se queixam de aumentos anuais impraticáveis nos seguros que pagam pelos seus trabalhadores, e que, no limite, prejudicam as empresas norte-americanas na competição internacional (agora estão preocupados, não é?) - muitas vezes contra países que resolveram esse problema através de sistemas públicos universais ou variantes público-privado, que cobrem todos sem excepção, garantindo níveis aceitáveis de qualidade, eficiência e equidade a um custo bastante razoável. Já várias vozes na economia política e na sociologia económica (por exemplo, Neil Fligstein no seu The Architecture of Markets (Princeton University Press, 2002, 288 p.)) haviam apontado para que, na Europa, o facto dos sistemas de saúde serem públicos ou mistos, apesar de pesarem mais nos impostos, acabem por sair, no cômputo geral, mais baratos, oferecendo uma importante vantagem comparativa às economias europeias. Muitos empresários americanos parecem estar a chegar agora a essa conclusão pela prática.