Friday, June 13, 2008

Irlanda e a União Europeia


Talvez poucos países tenham beneficiado tanto, do ponto de vista do crescimento económico, da integração na União Europeia - a Irlanda aderiu à então Comunidade Económica Europeia em 1973 (juntamente com o Reino Unido e a Dinamarca). Hoje a maioria votou contra o Tratado de Lisboa.

2 comments:

pedro viana said...

Tenho alguma ambivalência relativamente ao resultado de hoje. Mas não percebo de todo este post. O que pretende o Hugo dizer? Que os irlandeses deviam estar gratos por estar na EU e portanto "retribuir" o que muito ganharam aprovando o tratado? Agora a "generosidade" deve ter como contraponto a submissão aos desejos do outro? Ou pretende o Hugo dizer que os Irlandeses deviam saber melhor o que lhes convém, tendo demonstrado ignorância sobre o impacto positivo da EU na sua vida? Eu diria que se calhar até sabem bem o que melhor lhes convém, e isso é manter tudo como está. Afinal, foi sob essas condições que se deu o seu famoso crescimento económico. Para quê estar a mudar o que "funcionou" no passado?

Espero que o Hugo não ache que estou a embirrar com ele hoje, mas já que "andava" por aqui, não resisti a fazer também este comentário.

Hugo Mendes said...

Pedro,

Não vale muito a pena criticar a falta de ingratidão dos irlandeses. A política é assim, funcionou um mecanismo democrático a nível nacional, e a resposta foi esta. Paciência.
Só acho curioso que, quando se trata de receber fundos estruturais e beneficiar do investimento estrangeiro de vários países da UE, um país é "europeísta". Quando se trata de mudar as regras para acomodar na mesma União outros países mais pobres - como a Irlanda foi um dia -, aí a Europa já é um empecilho.

Mas, repito, este tipo de raciocínio é quase um parênteses. O que é preciso é saber o que fazer agora para resolver o impasse, reconhecendo que a construção europeia é um processo extraordinariamente difícil - é muito mais fácil manter os egoísmos nacionais (legítimos, aliás) assentes em argumentos mutuamente contraditórios (muitos à esquerda e à direita na Irlanda estavam a favor do 'não' por razões diametralmente opostas) do que construir uma coligação coordenada e clara.

"Agora a "generosidade" deve ter como contraponto a submissão aos desejos do outro"

Porque não? A união de vários elementos - pessoas, grupos, estados - e a solidariedade implicam, por definição, e em parte, um grau de submissão a uma posição comum.

Hugo