Thursday, May 3, 2007

Posição original

O "Véu de Ignorância" está de regresso. Em Fevereiro do ano passado iniciei-me nestas coisas da blogosfera com a parceria desse amigo único que é o Pedro Alcântara da Silva. Foi uma experiência intensa de cerca de 7 meses, que me permitiu conhecer muitas pessoas. Em Janeiro último regressei ao activo em conjunto com algumas delas - a quem agradeço por me terem recuperado para estas andanças blogosféricas - nesse projecto colectivo que é "A Vez do Peão". Continuarei a colaborar com eles regularmente - mas quem me quiser seguir num registo mais pessoal - and who says personal says political - deve passar por este espaço, ainda em construção: o Véu da Ignorância II.

O senhor retratado aí à direita é John Ralws, cujas ideias servirão de inspiração, broadly speaking, para o que terei para dizer daqui para a frente - em particular o seu princípio da diferença, segundo o qual «social and economic inequalities are to be arranged so that they are (...) to the greatest benefit of the least advantaged». A igualdade possível e desejável é a igualdade que serve os vencidos.

Como inspiração inicial, ficam os belíssimos acordes do tema 'Chicago', de Sufjan Stevens.

8 comments:

Victor said...

Começar com o Sufjan Stevens é um começo em grande !

João Rodrigues said...

Muito boa a citação do Hobsbawn. A questão que temos de discutir é se as duas citações são compatíveis. Ou seja, se é possível ter um governo da e para a gente comum sem atacar as estruturas que geram polarização social (ricos e portanto pobres)...

Rawls tentou resolver isso com um dispositivo artificial, mas em sociedades reais é preciso ver que a existência de polos de riqueza é um dos mais poderosos factores de corrupção dos nossos sentimentos morais (Adam Smith dixit!).

Boa sorte com o blogue!

Hugo Mendes said...

Olá Victor, o Sujfan é um dos talismãs da casa.

Olá João, eu creio ser possível compatibilizar se formos capazes de trabalhar dentro dessa tensão entre a realidade e a utopia, sabendo que a realização de uma em total detrimento da outra levará ao abandono seja dos ideias por que lutamos, seja do realismo necessário para evitar que o que se passa na realidade corrompa esses ideais. Eu não acho que seja uma nuance, mas não considero viável "atacar estruturas que geram polarização social" sem que tenhamos outras estruturas melhores para pôr no seu lugar (a não ser nos livros). Por isso, temos de trabalhar dentro das estruturas que existem, melhorá-las, tirar as lições da história, saber os contrangimentos que existem (inclusive os democráticos), de formam a gerar menos polarização social possível e desejável, dentro de um quadro liberal. É por isso que este blog seguirá uma linha "liberal egalitarianist".

Um abraços aos dois, voltem sempre.

vallera said...

É bom ter (e ver) um blog em que se possa postar videos e texto;-)
Virei visitar-te aqui (além do Peão e do DJPeão).
Espero que aqui também fales do Benfica!
bjo

pedro viana said...

"A igualdade possível e desejável é a igualdade que serve os vencidos."

Será que o Hugo não quer dizer desigualdade, em vez de igualdade? Até para ser coerente com a afirmação precedente? Ou então o Hugo gosta de paradoxos, pois se há igualdade, ou não há vencidos ou os vencidos são aqueles que seriam vencedores se houvesse desigualdade, e portanto a igualdade não os serve, ou os vencidos são aqueles que o seriam se houvesse desigualdade, e nesse caso a igualdade necessariamente os serve (ou seja não há igualdade que não aquela que serve os vencidos, ou contrário do que o Hugo dá a entender).

Isto pode ser um preciosismo, mas parece-me que demonstra a confusão em que o Hugo cai muitas vezes: acha a desigualdade como intrinsecamente negativa mas ao mesmo tempo diz que não se pode viver sem ela.

Hugo Mendes said...

Pedro, obrigado pela questão. Acho que ela assenta no equívoco de que há uma dicotomia rígida e inultrapassável entre a igualdade (absoluta?) e a desigualdade (absoluta?). Ora isso não é verdade, nem em termos normativos nem, talvez mais importante no debate actual, em termos empíricos.
Há formas que igualdade (relativa) que prejudicam os vencidos e há formas de desigualdade (relativa) que os beneficiam.

"acha a desigualdade como intrinsecamente negativa mas ao mesmo tempo diz que não se pode viver sem ela."

Mas isso é inteiramente verdade e não vejo onde esteja a confusão, e isto é simplesmente porque toda a (des)igualdade é complexa (como diz bem o M.Walzer). E há desigualdades que são legítimas e funcionais.
As coisas não são a preto e branco, e vê-las desta forma impede-nos de pensar estas questões a fundo, seja normativa, seja empiricamente. Não sou eu que gosto de paradoxos (pelo contrário, gosto de ser analítico e de os desconstruir); é que as coisas neste debates são elas, muitas vezes, muitíssimo paradoxais. É por isso que o igualitarismo estrito ou, no outro pólo, o libertalismo são "non-starters" para pensar estas questões na sua complexidade.

Filipe Moura said...

Boas blogagens. Mas espero que continues a escrever no Peão, que é onde se travam os melhores debates da esquerda portuguesa na blogosfera.

Hugo Mendes said...

Obrigado, Filipe, os debates terão lugar nos dois espaços, espero.

Um abraço, é bom "ver-te".