Thursday, November 29, 2007

Tolerância dos cidadãos às desigualdades


Os dados já são antigos, na maioria com cerca de 20 anos, oriundos do International Social Survey Program* (mas as atitudes e opiniões das pessoas não mudam rapidamente nestas questões, e o grau de consistência ao longo de tempo é assinálavel), mas mostram a diferente tolerância das populações de 8 países em relação às desigualdades salariais (a partir da resposta à pergunta «quanto acha é que o ---- devia ganhar?»). A base 100 corresponde ao salário de um operário fabril pouco qualificado. Vemos como em países como a Noruega ou a Suécia a diferença máxima aceitável entre o operário e um gestor de uma grande empresa é inferior a 2 vezes e meia, no EUA as pessoas aceitam que este último ganhe mais de 11 vezes o salário do operário! Dos países europeus, é a Alemanha que mais se aproxima - apesar da enorme distância - da tolerância dos norte-americanos às desigualdades.
* Quadro retirado de Stefan Svallfors, "Worlds of Welfare and Attitudes to Redistribution: A Comparison of Eight Western Nations", in "European Sociological Review", 13 (3), 1997, pp.283-304.

3 comments:

CLeone said...

atendendo a que a diferença real (e conhecida) é muito superior a 11 vezes, a tolerância aqui está muito subestimada. Em POrtugal, creio, este tipo de estudos (na linha dos da distância ao poder) parece-me de valor muito incerto para aferição do que quer que seja, de resto.

Hugo Mendes said...

O indicador é mais normativo do que descritivo, isto é, pretende medir o que as pessoas acham o que deve ser a diferença entre salarios do que aquela que é a diferença real (que eu duvido que a larguíssima maioria conheça com alguma precisão). Mas mesmo nao sendo esse o seu objectivo, as diferenças entre paises encaixam relativamente bem nas diferenças reais, e mostram níveis de tolerancia diferentes que ajudam a explicar a margem de acção passada, mas também futura, dos governos para intervir nesta área muito sensível na opinião pública. E ajuda a perceber as diferenças entre os EUA e a Europa (ela própria bastante heterogénea, alias como os EUA, que deviam ser efectivamente alvo de análise estado a estado).

CLeone said...

Com as reservas finais, e o necessário grão de sal na noção «indicador normativo» (um saleiro, enfim), de acordo